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Mad Maria: os trilhos do diabo

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» Mad Maria: os trilhos do diabo
» A construção da madeira-mamoré
 
A Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, construída no coração da floresta Amazônica entre 1907 e 1912, foi uma das mais ousadas obras da engenharia ferroviária em todos os tempos. Estendida por mais de 300 km, foi aberta em meio a incríveis dificuldades climáticas e sanitárias, comuns à selva tropical, para prover a Bolívia de uma saída comercial pelo Atlântico.

Poucos anos depois da sua inauguração em 1912, com o declínio da extração da borracha, ela foi desativada, restando por lá algumas locomotivas e outros trastes ferroviários como testemunhas mudas do enorme esforço inútil despendido na construção daquela que foi chamada de Ferrovia do Diabo, ou simplesmente Mad Maria (Maria a louca)

O isolamento da Bolívia

Madeira-Mamoré, os trilhos do diabo (1907-1912)
A pobre Bolívia não é um lugar muito feliz de se viver. Encerrada em meio às altíssimas montanhas dos Andes, uma infeliz guerra contra o Chile privou-a do acesso ao Oceano Pacífico desde 1879. Do outro lado, da fronteira voltada para o Brasil, é a muralha da floresta Amazônica que a deixa ainda mais isolada. Não só isso, o único rio que poderia ser aproveitado por ela para alcançar o Atlântico, cortando a selva e desaguando no rio Amazonas, é o rio Madeira, conhecido pelas suas perigosas e intransponíveis cachoeiras. Foi Raposo Tavares, numa bandeira organizada em 1647 no interesse de El Rei, quem por primeiro chegou a percorrê-lo na totalidade. Navegar no alto Madeira, meter-se de canoa e carga nele, era suicídio.

Duzentos anos depois do bandeirante, o engenheiro boliviano José Augustin Palácios, um entusiasta da saída pelo Atlântico, num relatório aprontado em 1846, apresentou como solução a construção de uma estrada que contornasse as quedas d’água da confluência Madeira-Mamoré, como se ainda fosse fácil enfrentar depois os 3.300 quilômetros restantes, as febres, e os índios que não davam trégua a ninguém.

Na medição feita pelo engenheiro brasileiro Silva Coutinho, em 1861, da primeira à última cachoeira do rio Madeira, percorria-se 70 léguas (ou 462 km), algo que somente poderia transposto por uma estrada–de-ferro construída ao longo das margens (sugestão que também foi apresentada pelo general boliviano Quentin Quevedo). Passado o trajeto dos limites bolivianos até Porto Velho (hoje capital do Estado da Rondônia), o rio Madeira tornava-se apto à navegação.

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