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Rumo ao desenvolvimento

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Celso Furtado
» Os pesares do nacionalismo
» Rumo ao desenvolvimento
 
"E numa economia de grandes potencialidades e de baixo grau de desenvolvimento, a última coisa a sacrificar deve ser o ritmo do seu crescimento"
Celso Furtado - Formação Econômica do Brasil, 1959.

Cabia às novas políticas econômicas abrir brechas nesta situação de dependência crônica da periferia para com o centro a fim de dilatar um espaço para o crescimento, atraindo indústrias de bens de consumo, importando e dominando novas tecnologias e formando uma classe média de técnicos identificados com a luta pela superação do subdesenvolvimento. Aplainar as disparidades sociais, as de classe ou regionais, era a preocupação permanente dele, visto que Celso Furtado nunca se deixou levar pela idiotia das soluções puramente técnicas, economicistas, mantendo-se um humanista até o fim.

Para tanto, como o livre mercado era incapaz por si mesmo de atenuar os desequilíbrios internos, caberia às instituições estatais intermediárias sanar o abismo entre as partes. Serviriam como pontes ligando áreas desiguais. Quando a iniciativa privada se mostrava débil, o Estado agiria no lugar dela. O subdesenvolvimento era produto da história e não uma maldição eterna a quem se devia uma conformada submissão.

A nova economia política latino-americana, por igual, condoía-se da situação de pobreza e indigência de grande parte da população. Justo por isso, relevando os custos inflacionários das políticas sociais, Furtado inclinou-se a favor de medidas práticas que atenuassem o escândalo social. Era melhor ter crescimento com inflação do que estagnação com equilíbrio monetário, posição que sempre o colocou em choque com as medidas estabilizadoras do FMI ( Fundo Monetário Internacional).

Todavia, criticava o consumo conspícuo, exagerado, das classes abastadas latino-americanas. Ao imitarem os padrões de consumo dos países desenvolvidos, a paixão pelos artigos sofisticados, de luxo, elas forçavam ainda mais a concentração da renda em poucas mãos e contribuíam para apartarem-se ainda mais dos pobres do seu país.

Do exílio à solidão

Como superar a miséria?
Celso Furtado, que se projetara nacionalmente na época do governo JK como fundador e diretor da SUDENE (Superintendência para o Desenvolvimento do Nordeste), converteu-se no economista brasileiro internacionalmente mais famoso e no mais celebrado historiador econômico do Brasil. Quando foi destituído do Ministro do Planejamento do governo Goulart (1961-64), viu-se obrigado a seguir para estrada do exílio em 1964. Continuou, nos quinze anos seguintes, a sua brilhante carreira como acadêmico em Yale, Harvard e Columbia, nos Estados Unidos, em Cambridge, na Inglaterra, e depois na Sorbone de Paris.

De certo modo foram seus adversários que aplicaram com grande sucesso a sua teoria de aberto intervencionismo estatal durante o regime militar, que tudo podia e em tudo mandava. Desenvolvimento que ele contestou por meio do seu livro "O Mito do Desenvolvimento Econômico", de 1974, pelo seu aspecto autoritário, fantasioso, anti-ecológico e concentracionário.

Entrementes, o nacionalismo econômico que ele representava e sua ênfase na necessidade de um Projeto Nacional eclipsou-se frente a acelerada globalização (que ele considerava um fenômeno tecnológico e inevitável) dos últimos vinte anos.

Marginalizou-o ainda mais a hegemonia universal do pensamento neoliberal com sua postura antiintervencionista e de aberta desconfiança da planificação macroeconômica. Celso Furtado, que retornou ao Brasil depois da anistia, em 1979, nunca vinculou-se ao setor privado. Na terminologia de Gramsci ele seria entendido como o principal "intelectual orgânico" do desenvolvimento brasileiro (*).

Com o desaparecimento dele também se desfaz, pelo menos por um bom tempo, a idéia de raiz platônica de que um pensador bem dotado, um “ técnico ilustrado” nos moldes do rei-filósofo, ou um estado-maior de homens altamente preparados, possa determinar por meio de um macro-projeto o destino de um país ou de um continente.

(*) Não deixa de haver uma enorme carga simbólica a morte de Celso Furtado - quase esquecido de todos num apartamento em Copacabana, ter sido antecedida em 24 horas pela demissão de Carlos Lessa, do BNDES. A imagem de Lessa (também um homem da CEPAL, onde atuou entre 1962-3, e, como Furtado, um teórico do nacional-desenvolvimentismo) sentado imóvel em frente ao prédio do banco, impotente, com a bandeira nacional estendida sobre seus joelhos, ilustrou mais do que mil palavras o fim de uma época.

Principais Obras de Celso Furtado

1959 – Formação Econômica do Brasil, São Paulo.
1961 - Desenvolvimento e Subdesenvolvimento.
1967 – Teoria Política do Desenvolvimento Econômico
1968 – Um projeto para o Brasil
1974 - O Mito do Desenvolvimento Econômico.
1998 - O Capitalismo Global.

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