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O manifesto de Prestes contra o programa de Vargas

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Vargas e Prestes
»O bruxo e o cavaleiro
»O manifesto contra o programa de Vargas
 
Exilado em Buenos Aires, Prestes, "O Cavaleiro da Esperança" foi sondando por emissários de Vargas para apoiar a campanha da Aliança Liberal (a dobradinha de Getúlio com João Pessoa, à Presidência da República, em 1930). Em seguida, convidaram-no a assumir o comando militar da revolução que estava em preparo no Rio Grande do Sul contra o presidente Washington Luís. Negou-se a tudo. Em resposta à Plataforma da Aliança Liberal, que comprometia-se com o voto secreto e a reforma social, Prestes lançou o Manifesto Comunista em 29 de maio de 1930. O conteúdo era bombástico. Não só rompia com seus ex-companheiros da Coluna que haviam aderido a Getúlio como, além de dizer ser o programa aliancista "anódino", denunciou-o como uma manobra neo-oligárquica.

Para prestes, num dos seus tantos abismais erros políticos, Washington Luís ou Vargas, dava na mesma. Não passava de "uma mudança de homens". Somente uma "verdadeira insurreição generalizada"..."das mais vastas massas", aferrou-se o Cavaleiro da Esperança, é que daria fim ao domínio dos proprietários fundiários e do imperialismo. Propôs então, a lá soviética, "um governo de todos os trabalhadores...baseado nos conselhos de trabalhadores...soldados e marinheiros...". Enquanto isso Vargas, depois de chefe vitorioso do Movimento 3 de Outubro de 1930, era confirmado como presidente constitucional em 1934.

Prestes contra Vargas

Prestes, o Cavaleiro da Esperança, 1926
Refugiado desde 1931 na URSS, quando da sua conversão ao comunismo, "O Cavaleiro da Esperança" foi do dito ao ato. Apoiado pela Internacional Comunista, quatro anos depois, vindo secretamente de Moscou para o Rio de Janeiro, onde desembarcou em abril de 1935, Prestes, escudou-se na ANL (Aliança Nacional Libertadora) - movimento antifascista de democratas, socialistas e comunistas, criado em março de 1935.

Após ter lançado um apelo insurrecional em 5 de julho de 1935, ele decidiu-se por dar um golpe de surpresa. A alegação para o Manifesto de Julho, no qual Prestes conclamou as massas brasileiras a apoiar a formação de um poder exercido pela ANL (e a conseqüente derrubada da Getúlio Vargas), devia-se à decretação da Lei de Segurança Nacional pelo governo Vargas, posta em vigor em abril de 1935, apelidada de "Lei Monstro" pela oposição ao regime. Legislação esta que instituía um estatuto especial para com os crimes praticados contra o estado e estabelecia punições rigorosas contra os subversivos.

Em novembro de 1935, com o apoio de diversos agentes comunistas vindos do exterior, ele ordenou do seu esconderijo que uns quartéis em Natal, no Recife e no Rio de Janeiro se insurgissem contra o governo constitucional. Queria derrubar Getúlio. Era a Revolução contra a Reforma.

"O Bruxo Missioneiro", como Vargas era tido por muitos dos seus adversários devido a suas fintas políticas e inúmeros ardis táticos, já estava na espera. Sabia de tudo, só não a data, a hora. Facilmente desbaratou o levante dos comunistas e seus aliados. Os aliancistas foram encarcerados em massa. Preso com a mulher Olga Benário no subúrbio do Rio de Janeiro, em março de 1936, Prestes foi jogado na cadeia por nove anos.

Vargas aproveitou o levante comunista para instituir, em 10 de novembro de 1937, o Estado Novo, regime de nítida inclinação fascista. Enquanto Olga, que fora entregue aos nazistas, era executada em Bernburg, em 1942, Prestes, de dentro do cárcere, seguindo a orientação de Moscou, ordenava aos quadros do partido comunista que apoiassem o regime ditatorial de Getúlio para que este declarasse guerra ao Eixo.

Prestes com Vargas

Vargas e Prestes juntos em 1945
Anistiado por Vargas, em 1945, Prestes estendeu-lhe a mão, chegando inclusive a apoiar o Queremismo (em grande comícios públicos organizados pelo Partido Comunista, colocado na legalidade) movimento dos trabalhadores que visava a continuidade de Getúlio no poder.

Os dois caudilhos gaúchos, "O Bruxo Missioneiro" e "O Cavaleiro da Esperança" que durante décadas disputavam entre si a atenção do povo, um buscando o apoio de Washington o outro de Moscou, terminaram por se aproximar ao término da Segunda Guerra Mundial. Coube à corporação militar sepultar os ideais de um e o outro em 1964.(*)

(*) Prestes colocado de volta à clandestinidade pelo governo do general Dutra, em 1947, mesmo assim deu seu apoio à candidatura de Getúlio Vargas à presidência em 1950. Em 1961 ele voltou a aproximar-se de João Goulart, o herdeiro do getulismo e, devido a isso, teve que retomar a rota do exílio no exterior quando deu-se o Golpe Militar de 1964.

Getúlio Vargas
Ministro da Fazenda de W. Luís e governador do Estado do RGS (1926-1930)
Plataforma da Aliança Liberal (1930)
Lei de Segurança Nacional (1935)
Lei da Anistia (1945)

Luís Carlos Prestes
Insurge o Batalhão ferroviário em S.Ângelo e dá início a Coluna Prestes (1924-27)
Manifesto Comunista de Prestes (1930)
Manifesto de Julho da ALN (1935)
Prestes apoia o Queremismo (1945)

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