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Vargas e Prestes, o bruxo e o cavaleiro
Desde 1924, dois líderes políticos nacionais, originados do Rio Grande do Sul, um nascido na missioneira São Borja, em 1883, e o outro em Porto Alegre, em 1898, foram rivais em quase tudo. Durante décadas disputaram o poder em escala nacional para modelar o Brasil segundo a ideologia que cada um deles defendia: a nacionalista e a comunista. Para Getúlio Vargas, "O Bruxo Missioneiro", o impulso para as transformações que o Brasil carecia viriam do alto, da reforma implementada por um governo vigoroso e autoritário nos limites de um estado-nacional unificado, enquanto que para o seu adversário, o marxista Luís Carlos Prestes, "O Cavaleiro da Esperança", ex-comandante da Coluna Prestes, o Brasil só teria conserto por meio de uma revolução social vinda de baixo, das massas, administrado por um governo de conselhos.
Vargas e Prestes, primeiros anos
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Vargas e a filha Alzira
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Ao alçar em armas o 1º Batalhão Ferroviário de Santo Ângelo e liderar uma marcha a cavalo pelo sertão do Brasil, entre 1924-27, Luís Carlos Prestes tornou-se famoso bem antes de Getúlio Vargas. O capitão que se rebelara contra o governo de Arthur Bernardes foi, visto suas façanhas na Coluna Prestes, o brasileiro mais conhecido no mundo todo. As lides das armas também não era estranhas a Vargas. Em 1903, durante a Questão do Acre, sentara praça como cabo para ir dar combate aos bolivianos (que o Barão do Rio Branco conseguiu dobrar sem dar um tiro sequer), e durante a Revolução de 1923, aquela do Honório Lemes, assumiu o posto de coronel da Brigada Militar, com botas altas e trabuco negro, ligado ao 7º Corpo dos Provisórios de São Borja, sem contudo precisar entrar em combate. Como Getúlio, quinze anos mais velho do que ele, Prestes, ex-aluno do Colégio Militar, se formara-se no clima do Positivismo Comtiano, ideologia reinante na Porto Alegre de Júlio de Castilhos. Todavia, se Getúlio, ainda jovem acadêmico, deixou-se embalar pela idéia de reforma social do novelista Emile Zola (sobre quem fez uma monografia), Prestes, depois da desmobilização da Coluna, em 1927, já maduro, aderiu ao marxismo. Isto definiu-lhes a trajetória política futura.
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