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Intenção antiga

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» Alemães no sul do Brasil
» Intenção antiga
 
Diga-se que trazer colonos alemães ou italianos para o Brasil Meridional era antiga intenção do Conselho Ultramarino de Lisboa. Um despacho real de 19 de junho de 1729, lembrou a profª. Helga L.Picollo, já fazia menção em transladar para a fronteira sul um povo que não fosse castelhano, inglês, holandês ou francês, para afirmar a soberania da Corte Portuguesa sobre as vastas extensões de serras, coxilhas e planícies que iam do rio Uruguai até o rio da Prata.

Intenção essa reafirmada por um outro decreto, este de D.João VI, datado de 16 de março de 1820, que em complemento a Lei da Abertura dos Portos de 1808, manifestava o desejo de abrir as fronteiras brasileiras à imigração estrangeira. Tal como os romanos, os portugueses sabiam que a única maneira efetiva de manter-se um território não era por meio de guarnições de soldados que podiam desertar a qualquer hora, mas sim ocupando-o com famílias de pequenos proprietários que fizessem dos acres ganhos coisa sua, pelos quais, se necessário, dariam não só o seu suor mas o seu sangue.

A idéia de estimular os alemães a virem partiu da imperatriz D. Leopoldina, uma princesa germânica, e logo contou com apoio de D.Pedro I que recém sufocara as veleidades dos liberais brasileiros mandando fechar à força a constituinte de 1823, e impondo no seu lugar uma Carta outorgada redigida à feição dele e das suas posições pró-absolutistas.

Soldados e lavradores

O rio dos Sinos e as primeiras casas coloniais
Os colonos cumpririam um duplo papel: poderiam ser arregimentados pelas tropas imperiais que lutavam contra o republicano Gervásio Artigas e ao mesmo tempo garantir com seus lotes de terra a retaguarda do poder dos Braganças no Rio Grande do Sul. Podiam servir como soldados ou trabalharem como lavradores.

Exemplo maior disso deu-se durante as Guerras Cisplatinas (1825-27) quando o doutor João Daniel Hillebrand (1800-1880), , um médico de São Leopoldo formado em Hamburgo, na Alemanha, e que bem jovem lutara na batalha de Waterloo, arregimentou mais de 120 colonos como voluntários para , segundo ele, “derramar até o último pingo de sangue em defesa da nossa justa causa”. Era um número substantivo de gente, sabendo-se que no biênio de 1824-5 o total deles, nas onze levas em que vieram, alcançara a 1.027 imigrantes.

Entre 1824 e 1830, ano em que se encerrou o subsídio à imigração, quase 6 mil alemães ( renanos, prussianos, mecklenburgueses, hanoverianos, pomeranos, suábios, bávaros, etc...) chegaram ao Rio Grande do Sul, concentrando-se por primeiro no eixo que vai de São Leopoldo à Santa Cruz do Sul. Tratavam-se de artesãos, funileiros, ferreiros, curtidores, marceneiros e carpinteiros. Poucos deles eram gente do campo propriamente dita, mas que levantaram as mãos aos céus em terem seus acres de terra que lhes permitiram, longe das exigências feudais ainda existentes nos ducados e baronatos de onde vieram anteriormente, serem homens e mulheres livres no Brasil.

Muitas décadas depois do desembarque da primeira leva trazida pelo bergantim São Joaquim Protector, o jornalista e escritor Karl von Koseritz (1832-1890), um dos principais porta-vozes da imigração alemã, sintetizou a missão deles no Brasil dizendo: "O colono não emigrou somente para progredir economicamente, mas também para adquirir um chão próprio, e com ele uma nova pátria. Por este motivo, sua existência, nos bons e maus momentos, está ligada ao destino do país, que é a sua pátria e a pátria dos seus filhos."

Vieram em sua maioria de uma parte da Alemanha que pertencera a um império que desabara, o de Napoleão, mortalmente ferido em Waterloo em 1815, para fazer parte de um outro que estava em construção: o Império do Brasil.

Bibliografia

As primeiras lavouras
Avé-Lallemant, Robert - Viagem à Província do Rio Grande do Sul (1858) , Belo Horizonte, Editora Itatiaia, 1980.

Flores, Hilda Agnes H. - Alemães na guerra dos Farrapos, Porto Alegre, EDIPUCRS, 1995.

Hunche, Carlos H. - O biênio 1824/25 da imigração e colonização alemã no Rio Grande do Sul, Porto Alegre, A Nação/DAC/SEC, 1975.

Müller, Telmo L (0rg.). - Imigração e colonização alemã, Porto Alegre, Escola Superior de Teologia São Lourenço de Brindes, 1980.

Lando, Aldair M.- Barros, Eliane, C. - A colonização alemã no Rio Grande do Sul, Porto Alegre, Editora Movimento, 1976.

Roche, Jean - A colonização alemã e o Rio Grande do Sul, Porto Alegre, Editora Globo, 2 vols. 1969.

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