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O monopólio português
Situação que mudou radicalmente quando da ascensão de D.João III ao trono do Paço de Lisboa, em dezembro de 1521, ocasião em que o novo rei decidiu-se por monopolizar os negócios do Brasil, visto que os lucros com o pau-brasil ascendiam crescentemente. Para tanto, para garantir o decreto de exclusividade da sua coroa, enviou em 1526 ao Novo Mundo ninguém menos do Cristóvão Jacques, uma espécie de xerife, feroz executor de leis bárbaras contra aqueles que circulavam nas águas que o rei de Portugal dizia serem suas. Os normandos então foram presos às fornadas e 300 deles levados aos tribunais de Lisboa. A represália francesa não tardou. Em 1530, os capitães normandos, gente de briga, não somente questionaram o monopólio sobre o pau-brasil como começaram a exigir pagamento de pedágio das naus lusitanas que passavam em frente a Dippe, navegando pelo Canal da Mancha em direção aos portos ingleses.
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Honfleur, porto de partida dos normandos
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De todos os franceses que viviam na costa atlântica, os normandos, secundados pelos bretões, eram praticamente os únicos de encarnavam desejos de aventuras em alto mar. Não era para menos, pois eles descendiam dos vinquingues que, vindos da Escandinávia, se instalaram na região do Alto e do Baixo Sena, no século 9. Tão valentes eles eram aqueles antepassados dos normandos que o rei da França na época, não podendo expulsá-los, concedeu-lhes o direito sobre a embocadura do Sena. Foi partindo daquelas margens (mesma região onde deu-se o desembarque aliado do Dia-D) que Guilherme, Duque da Normandia, conquistou a Inglaterra em 1066. Portanto, foram os desbravadores normandos, atrás dos negócios com a madeira vermelha, quem abriram caminho para que o vice-almirante Nicolas Durand de Villegagnon viesse a se instalar na baia da Guanabara há quase 450 anos atrás, em 1555, propondo-se a realizar “uma colonização doce do Brasil”, uma utopia tropical que servisse de refúgio aos perseguidos da Europa.
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