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História - Brasil
BRASIL

Brasil 1964: Revolução ou contra-revolução?

Leia mais
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» O movimento pela legalidade
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» A reação à revolução cubana
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» Não houve uma revolução
 
Entre agosto de 1961 e março de 1964, duas concepções antagônicas sobre o destino do Brasil quase resvalaram, no final, para uma guerra civil. A que estava no poder na ocasião, representada pelo Presidente João Goulart, dizia defender a nação dos tentáculos econômicos do capitalismo internacional, particularmente dos monopólios sediados em Washington, aliado às forças da rapinagem nacional, predadora do patrimônio do povo.

A que se encontrava na oposição, ao contrário, dizia que o perigo real era outro. Urgia, sim, salvar o país das garras do comunismo apátrida, materialista e ateu, evitando que fosse satelitizado por Moscou. Havia de impedir-se por todos os meios, que ele virasse uma "outra Cuba". Nas etapas finais, como que se encenassem um Auto da Guerra Fria, os dois Brasis colocaram sua gente na rua.

Marchas, comícios e passeatas se sucediam, enquanto greves e motins eclodiam por todos os lados. A tensão aumentava dia a dia e um clima de confronto armado pairava pesadamente no ar, até que as forças armadas, agindo a partir de 31 de março de 1964, inclinaram-se definitivamente por um dos lados. E não foi a ala do Exército Popular e Nacionalista idealizado pelos esquerdistas quem se impôs.

Militares e proprietários

A greve (Lasar Segall, 1956)
Ideologicamente, o Movimento de 1964 alicerçou-se nas teorias autoritárias aprendidas e difundidas no meio militar, muitas delas originadas do pensador Oliveira Viana, reforçadas pelas doutrinas anticomunistas decorrentes da Guerra Fria.

Diziam elas que, nas devidas circunstâncias, as Forças Armadas deveriam assumir o controle da nação brasileira, ainda que por meios excepcionais, para dar um combate mais eficaz à guerra revolucionária e psicológica desencadeada no mundo inteiro pelos comunistas, apoiados por Moscou, contra os valores cristãos e ocidentais. Ainda que para isso, a intervenção armada, significasse ter que suspender ou cancelar as liberdades democráticas.

Houve por igual, como mostrou Renée Dreyfuss, um enorme apoio ao golpe dado, pelas organizações de empresários, comerciantes e de banqueiros que, aliados às classes médias, temerosas dos comunistas, fizeram uma ampla frente comum contra o govenro de João Goulart. Não só colaboraram para o sucesso do golpe, como depois , ao longo dos vinte anos seguintes, sustentaram abertamente o partido do governo, a ARENA (A aliança renovadora nacional, fundada em 1965).

A participação norte-americana

É um simplismo afirmar-se que o Movimento de 1964 resultou de um teleguiamento norte-americano. Algo assim como se fora produto de uma grande conspiração do Departamento de Estado e da CIA norte-americana mancomunados contra o regime populista. O peso de uma ação golpista coordenada do exterior somente tem eficácia se estiver fortemente entrelaçada com os interesses internos da oposição e de parte considerável das classes sociais do país visado (basta verificar o fracasso rotundo da CIA em Cuba, por ocasião do desembarque por ela promovido na Baía dos Porcos, em abril de 1961).

Desse modo, nada do que os serviços secretos americanos pudessem fazer teria resultado significativo, se não contassem com o apoio de parte considerável da opinião pública brasileira, hostil ao governo de João Goulart: político este visto pela maioria da classe média brasileira como incompetente e incapaz de superar os problemas do desenvolvimento e da inflação (que alcançara a 100% no ano de 1963), de fazer cessar a agitação social e de romper com a estagnação econômica em que o país mergulhara.

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