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A marcha do general Mourão Filho
Na madrugada do dia 31 de março, as forças do general Olimpio Mourão Filho deixaram Juiz de Fora, sede da IV Região Militar, indo em direção ao Rio de Janeiro sem encontrar resistência. A IV Divisão de Infantaria, reforçada por dois outros regimentos vindos de Belo Horizonte e São João Del Rei, terminou por se confraternizar no meio do caminho com as guarnições do I Exército que haviam partido da ex-capital federal com a missão de confrontá-la. Aconselhado pelo general Amaury Kruel, comandante do II Exército, o Presidente, pego de surpresa, quase paralisado, desistiu de manter qualquer resistência na ex-capital federal. Depois de decolar do Rio de Janeiro para Brasília, vendo lá tudo perdido, Goulart decidiu voar para o Rio Grande do Sul, sua terra natal, para poder fazer uma avaliação da situação. Sentiu que o ânimo do III Exército, comandado pelo general Ladário Teles, em apoiá-lo não era nada entusiástico.
No dia 2 de abril, em seguida ao Presidente do Senado Auro de Moura Andrade ter declarado a vacância da presidência pela deserção de Goulart, ele partiu de Porto Alegre para ir asilar-se em terras uruguaias e depois argentinas (de onde só voltou morto, vitimado por um ataque cardíaco, em 6 de dezembro de 1976). Leonel Brizola, que ainda tentou convencer o cunhado da necessidade de fazer uma resistência, também buscou a rota do exílio. Nenhum tiro foi disparado em favor do governo de Goulart, nem uma só greve de protesto, das tantas que foram prometidas pelos sindicalistas, caso um levante militar ocorresse, durou mais de 24 horas. Em todo o país de mais de oito milhões e meio de quilômetros quadrados e mais de 70 milhões de habitantes, nas primeiras 72 horas do alçamento só ocorreram 7 mortes.
O Rio de Janeiro faz festa
Em quanto isso, com a retirada de Goulart para Brasília, milhares de lenços brancos eram acenados dos altos dos edifício da Avenida Atlântica, em Copacabana, celebrando a queda dele. Pelas ruas ecoavam as buzinas, intermitentes, expressando o alívio e o contentamento da classe média com o desenlace das coisas. Das janelas dos carros em movimento gritavam “Um, dois, três, Jango no xadrez!” Enquanto a Zona Sul comemorava, pairava um silêncio triste sobre os morros e o subúrbio. Como exemplo da falta de determinação dos janguistas, ficou célebre a tomada do QG da Artilharia de Costa da 1ªRM, situado ao lado do Forte Copacabana, feita pelo coronel César Montagna que, ainda em trajes civis, esbofeteou o sentinela e, com um par de rajadas de metralha e tiros de 45, o ocupou, por assim dizer, “no tapa”. A notícia da queda do Forte e do QG abalou fundo o frágil espírito de resistência dos que cercavam o Presidente. Ao embarcar para o exterior, Goulart deixou no total abandono milhares dos seus seguidores, estudantes, intelectuais, sindicalistas, militares das patentes menores, operários e gente do campo que, nos anos seguintes, sentiriam na carne as dores da orfandade a que foram relegados e a humilhação de ter apoiado um Presidente que nem sequer ousou reagir ou defender-se.
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