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Os irmãos Geisel
Henrique, Orlando e Ernesto, três dos cinco irmãos Geisel (os outros eram Bernardo, um engenheiro-químico e Amália, uma professora), orientaram-se para a carreira militar quase que por faltas de alternativas. Todos os três cursaram o Colégio Militar de Porto Alegre e depois seguiram para a Escola de Cadetes de Resende abraçando a carreira das armas. Os dois irmãos Geisel mais próximos, Orlando e Ernesto foram empolgados pela Revolução de 1930, aderindo ao levante de 3 de outubro liderado por Getúlio Vargas, presidente do Estado do Rio Grande do Sul, contra o presidente da União, o paulista Washington Luís. Pertenciam, ainda que com atuação discreta, à geração dos tenentes, aqueles oficiais que se levantaram no Forte de Copacabana em 1922, contra o governo oligárquico e depois participaram de uma série de outras insurgências (Revolta do Isidoro, de 1924, Coluna Prestes, 1924-27, etc...). Ernesto Geisel, vitoriosa a revolução, aceitando um cargo numa secretaria do Estado da Paraíba, tornou-se um “anfíbio”, o que na gíria militar significa um oficial de carreira que assume funções civis. A crise econômica, seguida da Grande Depressão que se estendeu por grande parte da década dos anos trinta do século XX, fez com que a confiança nos valores da democracia liberal se evaporassem em grande parte dos países ocidentais.
Tenentismo e autoritarismo
Os tenentes que chegaram ao poder com Getúlio Vargas, dividiram-se então em três correntes: os que aceitaram a sedução dos civis, abandonando a carreira em função de posições na política, como deu-se com Juracy Magalhães, os que se inclinaram pelo comunismo, com o foi o caso do mais famoso deles todos, o do capitão Luís Carlos Prestes (que depois de negar-se a associar-se a Vargas, exilou-se em Moscou e tentou dar um golpe comunista em 1935), e aqueles que deixaram-se tentar pelo sinal oposto: o da direita autoritária, simpatizante do nazi-fascismo. Posição em que se perfilou Filinto Müller e, de um modo bem mais discreto, os irmãos Geisel. Ernesto, particularmente, impressionou-se com o ditador italiano Benito Mussolini e por suas leituras das obras de Alberto Torres e Oliveira Viana, teóricos do nacionalismo autoritário, “uma espécie de fascismo”, segundo Cruz Costa (Contribuição à história das idéias no Brasil, RJ, 1967, pág. 408). Pode-se afirmar que foi nos anos trinta que eles, Orlando e Ernesto formaram a sua ideologia definitiva, alinhando-se com a direita militar nacionalista. Além de anticomunistas, eram antidemocratas que tinham desprezo pelo liberalismo. Pessoal e ideologicamente autoritários, eram a favor do intervencionismo estatal na economia, o que se refletiu no IIº PND (Plano Nacional de Desenvolvimento, de 1975-79) do governo Geisel, e de uma sociedade civil hierarquizada, regrada e disciplinada. Eram militares da direita, elitistas corporativos que, ao contrário dos fascistas, dispensavam qualquer mobilização de massas em seu apoio.
Desconfiavam dos políticos civis, “os casacas”, especialmente dos “populistas”, e não gostavam de ricaços e milionários, a quem, em geral, consideravam “ ladrões”. Para eles, que apoiaram sempre candidatos antigetulistas, como nas fracassadas campanhas do brigadeiro Eduardo Gomes, a de 1946, e a de 1950, e depois Jânio Quadros, em 1960, o resultado das urnas só comprovava o despreparo do povo para votar, sendo facilmente enganados por demagogos de ocasião.Também afinavam com o pensamento muito em voga no meio militar mais conservador de que a democracia era um pasto fértil para os comunistas deitarem sua pregação subversiva, de darem vazão a sua “guerra psicológica” contra as instituições estabelecidas incitando as massas à revolução.
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