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História - Brasil
BRASIL

Brasil X Bolívia: a guerra evitada

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Brasil X Bolívia
» A guerra evitada
» A questão do Acre
» O tratado de Petrópolis
 
Entre 1899 e 1903, o Brasil e a Bolívia, em vista da Questão do Acre - território boliviano penetrado por brasileiros que vinham atrás das seringueiras no tempo do ciclo da borracha - , por pouco não entraram em guerra aberta. Conflito este que foi evitado pelas negociações diplomáticas encaminhadas pelo barão de Rio-Branco, ministro das relações exteriores do Brasil (1902-1912).

Ele teve o mérito de transferir o confronto de um possível campo de batalha para a mesa de negociações. Tirou-o da selva da Amazônia para os altos da serra do Rio de Janeiro. Sucesso que culminou na assinatura do Tratado de Petrópolis, firmado com a Bolívia em 17 de novembro de 1903, e que veio a ser uma das maiores vitórias da diplomacia brasileira em todos os tempos.

O barão do Rio-Branco, herói da república

O barão do Rio-Branco, ministro da republica (1902-1912)
Estimaram a multidão que o recepcionou em dez mil pessoas que se espalhava desde o cais do porto até as avenidas do centro do Rio de Janeiro. Todos lá estavam, naquele dia jubiloso de 2 de dezembro de 1902, para saudar o barão do Rio-Branco, o Juca Paranhos, como era conhecido entre os cariocas. Viram-no como um bom filho que retornava à casa, o Brasil. Recepcionaram-no desde o porto com bandas, palmas e aclamações, espalhando os retratos dele por toda parte. Até a estátua do pai do barão, o visconde do Rio-Branco, merecera uma bela ramada de flores.

Provavelmente muitos deles, dos que lá estavam presentes para aplaudir o novo ministro da relações exteriores, recém vindo da Europa, tinham estado umas semanas antes na frente do Palácio da Catete para vaiarem estrepitosamente o presidente Campos Sales, quando esse deixava o poder coberto de impopularidade. Enquanto o político paulista saia debaixo de apupos, o chanceler carioca desembarcava com vivas.

A república, o novo regime recém implantado no Brasil fazia 13 anos atrás, tinha causado enormes decepções ao povo. Primeiro pela inflação e pelos escândalos financeiros provocados pelo Encilhamento, em 1890/1, em seguida a Armada rebelou-se por duas vezes, uma em 1891, e outra em 1893, disparando contra a própria Capital Federal, ocasião que também rebentou no Rio Grande do Sul a sangrenta Revolução Federalista de 1893/5, e, mal cauterizada essa, foi a vez da revolta de Canudos fazer correr sangue no sertão da Bahia, em 1896/7.

Como uma espécie de arremate de tanta desgraça, o presidente Campos Sales, herdando os rombos orçamentários daquilo tudo, teve que apelar para o Fundig Loan, uma renegociação geral da divida externa do país, acertada em 1898, que implicou em tomar mais 10 milhões de libras esterlinas das casas financeiras.

Uma república sem bons exemplos

Deodoro da Fonseca morrera, Floriano Peixoto também, Benjamin Constant fora-se antes de todos os outros, a república não tinha heróis, não oferecia alguém de peso, um vulto ilustre, um varão a lá Plutarco com quem o povo pudesse se empolgar ou se orgulhar. Daí a vibração com o barão, ironicamente um monarquista, alguém do antigo regime derrubado em 1889, mas que naquele momento muito especial, quase que de depressão coletiva, encarnava por assim dizer as melhores expectativas da nacionalidade.

Rodrigues Alves (1902-1906), o novo presidente, o convidara para o ministério, e ele , deixando Londres, viera assumir o posto. E chegou em boa hora porque os atritos na fronteira do Brasil com a Bolívia, lá longe, na floresta amazônica, soltavam chispas para todos os lados. Como observou Álvaro Lins, o melhor biógrafo do barão, “o caso do Acre fora a princípio de geografia e história, depois, uma questão de ordem política e econômica.” (in Rio-Branco, S.P.,1965, pag. 270).

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