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A Era JK, otimismo e esperança - parte 2

Partidos, militares e interesses

O Plano de Metas, concentrando recursos internos e externos, fez por merecer a aprovação dos partidos de sustentação do governo, tanto do PTB como do PSD. O PTB, porque a expansão da industria ajudaria os trabalhadores, dando-lhes emprego e melhores salários, reforçando-lhes a posição na sociedade via sindicatos. O PSD, especialmente a facção composta pela burguesia industrial, via na politica juscelinista a ampliação do mercado e da abertura de novas oportunidades, enquanto os militares sentiam que o crescimento do parque fabril reforçaria o poder econômico nacional e, por conseguinte, o das Forças Armadas em geral. A oposição udenista, naquelas circunstâncias, reservou-se a função de denunciar “a corrupção” e os gastos excessivos, inflacionários, que tal programa implicava. Mas evidentemente a reação ao projeto juscelinista foi muito maior, com incessantes críticas ao desperdício de se colocar dinheiro numa nova capital, ou de dar muita ênfase na acolhida do capital externo, o que feria os brios dos nacionalistas mais exaltados.

A geografia de Juscelino

Hidroelétrica de Furnas
Os impressionantes recursos mobilizados pelo presidente Juscelino, empréstimos, investimentos, incentivos, etc... tiveram três destinos geográficos bem precisos. Aqueles que estimulavam a implantação de fábricas, particularmente as montadoras de automóveis (todas elas comprometidas em nacionalizar o mais breve possível as autopeças e outra matérias primas), foram canalizados para as cidades do ABC, no Estado de São Paulo, devido a sua tradição industrial e volume do seu mercado, o maior do Brasil. Para Brasília, construída no Planalto Central, no Estado de Goiás, foram as inversões para a construção das grandes obras do governo e, por fim, com a fundação da SUDENE (Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste), em 1959, deslocaram-se os recursos para fomentar e diversificar a produção da região. Ficaram de fora da geografia juscelinista, os estados situados mais ao extremo, o Rio Grande do Sul e os da Amazônia.

Brasília, a capital da esperança

A promessa de erigir uma nova capital no Planalto Central, chamada ao estilo da época de NOVACAP, surgira durante a campanha eleitoral. Era a oportunidade de mudar o destino geográfico do Brasil, esparramado há 450 anos pelo litoral atlântico. Os imensos espaços da hinterlândia brasileira, o sertão bravio, milhões de quilômetros quadrados, estavam praticamente abandonados, e assim permaneceram por séculos, tratado com indiferença ou descaso por todas as administrações. Determinada a transferência da capital federal pela Mensagem de Anápolis, de 18 de abril de 1956, a construção de Brasília, fixada no prazo de 3 anos e 10 meses, iria modificar tal situação. A fantástica cidade futurista, erguida no meio do cerrado goiano, seria a nova catalisadora das energias nacionais. A máquina administrativa estatal ao sair do Rio de Janeiro, onde se encontrava fazia dois séculos, deslocando-se para o centro do Brasil, produziu um enorme choque na região. Foi como se por lá caísse um meteorito de espetaculares proporções. Numa sentada, foram atraídos para suas proximidades milhares de trabalhadores (os candangos) e transferidos mais de 5 mil funcionários públicos. E, com eles empreendimentos agropecuários, comerciais, minerais, e financeiros de toda ordem.

Um pássaro no Planalto Central

O que era um deserto adquiriu vida. O projeto de Lúcio Costa, um dos maiores urbanistas do país - uma planta de um enorme pássaro com asas abertas (dividias em Norte e Sul) pronto para alçar vôo -, infundiu no povo brasileiro uma sensação de esperança como há muito não era possuído (daí o escritor André Malraux, ao visitá-la, chamá-la de “ a capital da esperança”). Espaço amplíssimo que imediatamente foi ocupado pelas espetaculares edificações saídas da prancheta do genial Oscar Niemeyer, um discípulo de Le Corbusier, tido como um dos pais da arquitetura moderna. De imediato, a bela cidade tornou-se um centro irradiador de progresso para todo interior do Brasil, partindo dela grandes radiais rodoviárias em direção às principais cidade brasileiras - a mais espetacular delas foi a Belém-Brasilia (1.450 quilômetros) que rasgou a floresta amazônica. Com isso, concretizava-se a integração do território nacional, unificando definitivamente o país pelas BRs, fazendo com que as diversas regiões, até então arquipélagos apartados umas das outras, pudessem, dali em diante, ligarem-se por terra e não mais pelo ar ou mar.

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