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A Era JK, otimismo e esperança - parte 3

A revolução cultural

João Gilberto no início da carreira
Não sem razão, os anos JK foram entendidos como “ os anos dourados” da cultura brasileira. O clima de otimismo, de bom humor e de esperança que Juscelino transmitia - o homem era quase um mágico -, contagiou positivamente toda uma geração de músicos e artistas brasileiros. O próprio presidente, sempre que possível, cercava-se de escritores como Josué Montello, Augusto Frederico Schmidt, Autran Dourado, Carlos Heitor Cony, Pedro Nava, e tantos outros, dando exemplo do seu apreço as letras. O bairro boêmio de Ipanema, no Rio de Janeiro, como mostrou Ruy Castro, tornou-se uma usina de novidades e de experiências artísticas, musicais , teatrais, televisivas e cinematográficas. Para a nova geração de compositores brasileiros, o movimento da Bossa Nova (cujo marco foi a gravação de “Chega de Saudade” de João Gilberto, em junho 1958, na mesma dada em que JK inaugurava o Palácio da Alvorada), vinha libertar a música brasileira do derrotismo, de ser “macambúzia e sorumbática”. Afirmação disso era que o lamentoso verso de Herivelto Martins, “Não, eu não posso lembrar que te amei” , foi substituído pelo afirmativo viril de Vinícius de Morais “Eu sei que vou te amar! Por todo a minha vida eu vou te amar”.

Bossa Nova e Cinema Novo

“Vidas Secas”, clássico do cinema novo (dir. Nelson Pereira dos Santos)
Foi uma época de esplendor para a música brasileira em que foram revelados Tom Jobim, Carlos Lyra, Ronaldo Bôscoli, o violonista Baden Powel, e a turma do 1º Festival de Samba Session, realizado em 22 de setembro de 1959. No cinema, o império da Cinematográfica Vera Cruz, puro lazer e entretenimento comercial, fábrica das chanchadas, entrou em declínio devido à televisão. Abriu-se então mais espaço para enfoque cinematográfico dado às questões sociais e políticas, já anunciadas no filme “Rio 40 graus” de Nelson Pereira dos Santos, em 1955, dando o ponto de partida para a emergência do Cinema Novo. Movimento neo-realista liderado por Nelson Pereira do Santos (e mais Glauber Rocha, Joaquim Pedro de Andrade, Carlos Diegues, Paulo César Saraceni, Leon Hirszman, David Neves, Ruy Guerra e Luiz Carlos Barreto), viera “para descolonizar a produção brasileira”, condicionada até então a imitar os filmes de Hollywood. Tratava-se da "libertação completa da linguagem cinematográfica de seus entraves coloniais [...]., no entender de Carlos Roberto de Souza (“A fascinante aventura do cinema brasileiro”), ato que se consagrou na máxima “uma câmera na mão e uma idéia na cabeça".

A morte e a consagração de Juscelino

Memorial JK em Brasília

"Como poderei viver, sem a tua, sem a tua companhia"
"Peixe-Vivo", canção folclórica


Inaugurada a nova capital em 21 de abril de 1960 e encerrado o seu mandato presidencial em 1961, transmitido democraticamente o cargo para o seu sucessor Jânio Quadros (ex-governador do Estado de São Paulo), Juscelino preparava-se para um retorno ao poder quando deu-se o Golpe Militar de 1964. Cassado (era senador pelo Estado de Goiás) e preso pelos militares em 1965, submetido a um IPM (inquérito), ele foi obrigado a viver por algum tempo no exílio. Passou a alimentar a esperança de ver-se algum dia anistiado ou reabilitado para voltar a concorrer à presidência da república. Brasileiríssimo, homem de queijo com goiabada, não se sentia a vontade no exterior. Morreu isolado e desgostoso, vítima de um acidente de estrada, no dia 22 de agosto de 1976, vindo de São Paulo pela Rodovia Dutra em direção ao Rio de Janeiro. Na ocasião, seu carro abalroado por um ônibus , entre as marcas 164-165, saltou para outra pista sendo esmagado por uma carreteira. O seu caixão fúnebre, ao chegar no Rio de Janeiro, foi levado por uma enorme multidão ao aeroporto para ser embarcado para Brasília. No caminho o povo cantava o “Peixe-Vivo”, música que apreciava. Na capital que ele construíra, seu corpo foi velado sem que ninguém do regime militar se fizesse presente, mas estavam por lá umas 30 mil pessoas. Foi o maior enterro que Brasília havia visto. Desde 1981, seus restos mortais repousam no Memorial JK, situado num local privilegiado da capital federal.

Bibliografia

Baer, Werner – A Industrialização e o Desenvolvimento Econômico no Brasil (Editora Fundação Getúlio Vargas, RJ, 1977)

Benevides, Maria Victória de Mesquita – O governo Kubischek (Editora Paz e Terra, RJ., 1976)

Bojunga, Cláudio – JK, o artista do impossível (Editora Objetiva, SP., 2001)

Carone, Edgar - A República Liberal: instituições e classes sociais (Difel, SP., 1985)

Castro, Ruy – Chega de saudade: a história e as história da bossa nova (Cia das Letras, SP., 1991)
Kubitschek, Juscelino – Por que construí Brasília (Senado Federal, Brasília, 2000)

Skidmore, Thomas – Brasil: de Getúlio a Castelo (Editora Saga, RJ, 1969)

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