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Rio Grande do Sul, o poncho e a pólvora

Um gaúcho (tela de Juan M. Blanes, 1875)
A história da ocupação e do povoamento do Estado do Rio Grande do Sul, o mais meridional do Brasil, está demarcada pela questão fronteiriça. Região limite entre dois Impérios - o Espanhol, com sede em Buenos Aires, no Rio da Prata, e o Português, com o Rio de Janeiro - , o chamado Continente de São Pedro do Rio Grande do Sul, desde o século XVII, foi permanentemente disputada pelas duas coroas ibéricas. Ter-se tornado zona de guerra, de combate intermitente por quase dois séculos, marcou a vida política da mais conturbada das províncias do Imperio do Brasil, criando-se uma cultura muito própria, assinalada por guerras civis violentas - tal como a Revolução Farroupilha, de 1835, a mais longa da nossa história - desconhecidas no restante do Brasil.

A questão dos limites

Pelo Tratado de Tordesilhas de 1493 - que dividira o mundo de então, recém aclarado pelas viagens de Colombo -, a linha que separava os dois reinos católicos da Península Ibérica passava, aqui no Brasil, na sua extensão meridional, ao largo do litoral do atual Estado de Santa Catarina. Teoricamente, portanto, a área que viria fazer parte do Rio Grande do Sul, pertencia pois aos espanhóis. Portugal, por sua vez, sempre procurou estabelecer como sua real fronteira, como limite extremo do seu império na América do Sul, não uma linha abstrata, mas sim a margem esquerda do Rio da Prata. Todos os conflitos entre o Estado do Brasil e seus vizinhos do Prata foram decorrentes desse antagonismo sobre quais eram os verdadeiros marcos de cada um: o traço determinado pelo Tratado de Tordesilhas ou a curva do Rio da Prata. O Rio Grande do Sul foi, desde o seu principio, ao contrário dos demais estados brasileiros, uma “fronteira quente”, isto é, local de disputa militar e diplomática , foco de tensão armada que se estendeu dos finais do século XVII até o século XIX.

Missões Jesuíticas

A família sagrada (arte missioneira)
Acredita-se que os padres da Companhia de Jesus tenham atravessado o rio Uruguai por volta de 1626, sendo que o Pe. Roque Gonzales foi martirizado pelos indígenas em 1628. Na sua ocupação, os inacianos adotaram nas suas estâncias, para fixar os nômades guaranis do território, a alternância da cultura da erva-mate com a pecuária. Em 1637, o bandeirante Raposo Tavares, atrás de mão-de-obra cativa, destruiu as reduções situadas entre os rios Taquari e Caí, obrigando os jesuítas a refluírem para a margem direita do Uruguai. A partir de então, o gado, abandonado, sem interesse para os bandeirantes, esparramou-se , tornando-se gado “chimarrão”, isto é gado selvagem.
Formaram-se então as Vacarias do Mar , que estendiam-se até as margens do Rio da Prata, e as Vacarias dos Pinhais, manadas de gado selvagem que ocuparam boa parte do Planalto Central e dos Campos de Cima da Serra, e que iriam atrair os gaúchos. O verdadeiro apogeu das Missões, revitalizadas no século XVIII, ocorreu entre 1720-56, quando se formaram os 7 Povos das Missões (S. Nicolau, S. Ângelo, S.Luís, S. Lourenço, S. João Velho, S.Miguel, S. Borja), situados na parte oeste do estado, até que ocorreu a destruição deles durante as Guerras Guaraníticas, cujas operações bélicas deram-se pela expedição luso-espanhola de 1753-6, tendo no cacique Sepé Tiarajú , o principal defensor das reduções indígenas. A chamada “época de ouro” das missões foi possível porque os descendentes dos bandeirantes, mudando de afazer, tornaram-se garimpeiros nas Minas Gerais ou tropeiros e criadores de gado bovino e muar. A região dos Sete Povos das Missões no Rio Grande do Sul haviam passado ao controle português pelos Tratados de Madri, de 1750, e confirmado pelo de Santo Ildefonso,, de 1777, mas efetivamente só começou a ser ocupada em 1801.

Autoridades portuguesas

Planta do forte Jesus-Maria-José, local do nascimento do Rio Grande do Sul
Com a fundação, ordenada pelo rei de Portugal, da estratégica cidade de Colônia do Sacramento - tarefa cumprida por Manuel Lobo, governador do Rio de Janeiro, em 26 de janeiro de 1680 -, bem em frente a Buenos Aires, teve início uma longa e turbulenta rivalidade que estendeu-se por século e meio entre o Império Lusitano e o Espanhol. A nova urbe acirrou ainda mais a luta pelo controle do Rio da Prata, escoadouro de riquezas e portal de entrada para o coração do continente sul-americano. Conflito intermitente, onde guerras eram intercalados com tréguas e tratados, que se prolongará , inclusive após a independência da Argentina e do Brasil, até 1828, com o Tratado do Rio de Janeiro que acertou o reconhecimento da autonomia da Republica do Uruguai. A Capitania D’El Rey de São Pedro de Rio Grande do Sul, surgiu, pois, em função de resguardar a retaguarda dos interesses portugueses no Rio da Prata. Por isso, para melhor poder apoiar logisticamente a cidade de Colônia, os lusos, comandados pelo brigadeiro José da Silva Paes, fundaram o Presídio de Jesus-Maria-José Rio Grande, em 1737 , e distribuíram estâncias entre os oficiais ao longo da linha que, partindo do litoral atlântico, atingia o rio Uruguai.

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