Rio Grande do Sul, o poncho e a pólvora - parte 2
Açoritas
Dando seguimento à ocupação por meio de colonização, acerto possível após a assinatura do Tratado de Madri, em 1750, os lusos trouxeram das ilhas dos Açores os “casais de número” que receberam terras na região da Lagoa dos Patos, Rios Guaíba e Jacuí, povoando Porto Alegre, Triunfo e Cachoeira. Inicialmente os açorianos se dedicaram a agricultura (triticultura), mas abandonaram-na em 1820 para voltar-se para a pecuária, aproveitando-se do crescimento da indústria do charque, implantada por volta de 1780, pela iniciativa de José Pinto Martins, nos arredores de Pelotas e , em seguida, em S. Amaro e Triunfo. A data de 1756 assinala a fundação de Porto Alegre como vila. Com a invasão castelhana de 1763, a capital deixa de ser Rio Grande, que ficou 13 anos nas mãos da administração espanhola, mudando-se para Viamão e depois para P. Alegre. Com a expansão das charqueadas ocorre a importação de mão-de-obra escrava, fortemente concentrada em Pelotas.
Colonização alemã
Os primeiros imigrantes vindo da Alemanha chegam a partir de 1824 e foram instalados na antiga Feitoria do Linho Cânhamo, nas beiras do rio dos Sinos. Alguns deles vieram como mercenários para lutar na Guerra Cisplatina, mas a maioria era composta de lavradores que receberam pequenos lotes de terras, em “linhas” e “picadas” ao longo do Vale dos Sinos e na encosta da Serra. Dedicaram-se à chamada “economia colonial”, o artesanato e a pequena indústria, tendo Porto Alegre como seu principal mercado. Era-lhes vedado ter escravos e seus direitos de liberdade religiosa , se protestantes, eram limitados.
Colonização italiana
Para os italianos, que chegam em 1875, são reservadas terras ainda menos acessíveis, as que se situavam nos altos da Encosta do Planalto Meridional, a serra gaúcha, tendo como núcleo de povoamento os “fundos de Nova Palmira”. Assentaram-se em Conde d’Eu e d. Isabel. Dedicam-se à extração de madeira, à vitivinicultura, à pequena industria e ao artesanato. Seu impressionante crescimento demográfico, no século XX, fez com que se desloquem para as regiões centrais e orientais do estado.
Atividades econômicas
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Semeando os campos da Serra (tela de Pedro Weingarten)
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As missões jesuítas e logo em seguida a formação das estâncias de lagunenses e vicentinos (paulistas que se deslocavam do norte), foram responsáveis pela introdução da pecuária no RGS. A estância correspondeu ao abandono das atividades predadoras feitas por gente selvagem do campo, os primeiros gaúchos, que abatia indiscriminadamente os animais apenas para extrair-lhes o couro e vendê-lo aos contrabandistas. A agricultura nesses primeiros tempos confinava-se ao plantio da erva-mate, herança dos hábitos dos índios guaranis..
Com a descoberta, nos começos do século XVIII, das lavras de ouro e de diamante em Minas Gerais e o elevado preço que os alimentos custavam nas regiões de garimpo, a pecuária virou uma atividade altamente rentável. Com a industria extrativista esparramando-se pelo Brasil central, formou-se o primeiro mercado interno significativo no Brasil colônia, ao qual as estancias gaúchas iriam atrelar-se, sendo essa uma das históricas razões econômicas da tensão entre o separatismo e o nacionalismo, vigentes até hoje no nosso estado (a economia gaúcha voltou-se para o mercado interno brasileiro, sendo pois, sempre simpática à medidas protecionistas).