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Timor Leste | Bibliografia
Timor Leste e o Império Luso na Ásia
Introdução
...todos os europeus sempre se comportaram em relação aos asiáticos como se os princípios do direito internacional não se pudessem aplicar fora da Europa, como se a dignidade moral dos povos da Ásia não pudesse colocar-se no mesmo pé com o deles. K.M.Panikkar - A dominação ocidental na Ásia, 1969
Timor Leste é apenas uma parte da ilha de Timor, pertencente ao arquipélago da Indonésia que se compõe por mais de 17 mil ilhas. Ela, a ilha, situa-se há uns 650 quilômetros ao norte da Austrália e foi até 1975 parte do Império Colonial Português da Ásia. Liderados pela Frentilin (Frente Nacional de Libertação do Timor Leste), formada em 1974 e capitaneada por Xanana Gusmão, um guerrilheiro esquerdista, os timorenses do leste proclamaram sua república em 1975, logo que a administração portuguesa abandonou a ilha e depois de uma curta guerra civil com os setores locais que desejavam a reintegração na Indonésia.
A Indonésia naquela época estava vivendo sob a ditadura anti-comunista do General Suharto(1965-1998) que decidiu-se ocupar a outra parte da ilha de Timor. Os americanos que recém haviam se retirado do Vietnã em 1975, apoiaram a operação militar porque não podiam aceitar a existência de uma área pró-comunista, ainda que pequena, dentro da esfera geográfica da Indonésia, sua aliada na região. A pretexto de liquidar as atividades de um movimento guerrilheiro subversivo e separatista, o Exército Indonésio praticou uma política de violência indiscriminada contra a população civil, tornada quase toda ela inimiga (estimam, exageradamente, em 200 mil vítimas em 20 anos de repressão e fome).
Nas vésperas da votação do plebiscito - marcado para o dia 30 de agosto de 1999 - para decidir se os timorenses do leste preferiram a autonomia ou a independência, o bispo Ximenes Belo, líder espiritual do Timor Leste, numa missa de conciliação realizada na cidade de Suai, no interior da ilha, proclamou a disposição dos nativos em formar uma nova família - frase que significava um sinal para que todos votassem a favor da independência - isto que, é que constituíssem um novo país chamado Timor Loro Sae. As violência perpetradas pelas milícias, estimulados pelos militares indonésios, quase 100 mortos depois da apuração do resultado da votação, fizeram com que a Indonésia fosse denunciada como violadora dos direitos humanos dos timorenses e obrigada a aceitar - depois da aprovação pelo Conselho Superior da ONU - uma força de intervenção.
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