A partilha do Oriente Médio
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Lawrence, herói colonialista
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Terminada a Primeira Guerra Mundial com a vitória da Entente Cordial (Reino Unido - França e, no final, os EUA), os ingleses e franceses, obedientes ao
Sykes-Picot agreement, agindo como ladrões de caravanas, dividiram entre si o Oriente Médio, cuidando os ingleses de deixar seus parceiros com áreas onde o preciosíssimo viscoso se fazia ausente (Líbano e Síria). Para atingir o objetivo de expulsar os turcos otomanos da região, os britânicos chegaram ao extremo de estimular a revolta ds tribos beduínas do deserto (lideradas por Lawrence da Arábia, um oficial de espionagem), assegurando a elas independência política, e até prometeram, pela Declaração Balfour, de 1917, um lar nacional para os judeus na Palestina. Promessas todas elas "esquecidas" assim que a guerra acabou.
A indústria automotora
Somado a questão da estratégia militar, um outro fator entrou em ação, fazendo do óleo algo mais importante ainda: o crescimento espantoso da indústria automotora. Nos Estados Unidos, na Grã-Bretanha, na França, na Itália e na Alemanha, as fábricas de automóveis, caminhões, ônibus e tratores, todos movidos a óleo e seus derivados, brotaram como cogumelos depois da chuva. Razão dos britânicos mais se aferrarem ao controle do Oriente Médio. Além de possuírem o Egito e os pequenos Emirados Árabes do Golfo Pérsico, a autoridade de Sua Majestade agora se fazia presente em Amã, na Jordânia; em Jerusalém, na Palestina; e em Bagdá, antiga província da Mesopotâmia. Todo o cinturão petrolífero lhes pertencia. Somente cederam parte dele aos americanos quando a Grande Depressão também os abateu na década de trinta.
A ressurreição do Islã
Curiosamente foi obra deles, dos anglo-americanos, a promoção, ainda que indiretamente, da ressurreição do Islã. Em assombrosa decadência, desde o século XVI, quando as rotas oceânicas para as Índias, desbravadas pelos cristãos ibéricos, tornaram-se rotineiras, o Oriente Médio estagnara na pobreza, na perplexidade e na autocomiseração. Estudiosos do pensamento árabe constataram que, a partir daquela época, as doutrinas fatalistas tornaram-se hegemônicas, atitude espiritual que os fez conformarem-se com a paralisia geral, com o que entendiam ser a vontade do Criador do Universo, sufocando assim qualquer perspectiva de reação. Situação que só se alterou quatro séculos depois com a chegada em massa da libra esterlina e do dólar.
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