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Pestes e Pragas

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   A morte se anunciando
O Caldo Fértil da Peste

"Oh feliz posteridade que não conhecerá tão abismal dor! E que considerará o nosso testemunho como fábula!"
Petrarca - Espitolae Familiares, VIII

Pulgas! Sim, aos milhares. Vindas emaranhadas nos pelos dos ratos, assim que o barco genovês, vindo do Mar Negro, ancorou em Messina na Sicília, elas fizeram a festa. O ano era o de 1347 e, em semanas, a presença delas abateu um quarto da população local. A peste então alastrou-se para o restante do continente. A pandemia que devastou a Europa no século XIV , segundo os estudiosos, resultou de uma rara combinação de bactérias bubônicas (a Yersinia pestis) e neumônicas que, num pacto maligno, se associaram a outras sepsias pestíferas, vindo a matar meio mundo. Caldo fértil é o que não faltou. Desde a queda do império romano no século V, e até um pouco antes, com a epidemia que deu-se no tempo de Justiniano, a do ano de 542, a Europa tinha virado uma imundice só.

O colapso do eficiente sistema sanitário que os administradores imperiais haviam construído, ruíra ao atropelo da cavalaria bárbara. Gente habituada a morar nos matos, em acampamentos de guerra ou nas clareiras de florestas, os godos, os suevos, os lombardos ou os francos, não tinham hábitos de higiene como os cultivados moradores das cidades que conquistavam.

reprodução (tela de Brueghel)

   A vitória da morte

A Falta de Higiene

Porcalhões que eram, os bárbaros comiam com as mãos, ou com colheres de pau que enfiavam todos no mesmo tempo num sopão posto em meio à mesa. Limpavam-se onde dava, na crina do cavalo ou num lombo de um coelho, como um manual de bons modos da época recomendava, a maioria nas mangas da camisa ou do casaco. Quanto aos restos da casa, tinham por hábito jogá-los aos porcos soltos nas ruas, que assim encarregavam-se de faxinarem o estreito e acanhado espaço público. Banho? Nem pensar. Convertidos ao cristianismo, acreditavam
reprodução

   Venenos e flechas desabavam dos céus
que ensaboar-se era excitar o demônio, atiçar a luxúria. Uma tina com água quente era um poço de pecado, uma perdição! Entende-se assim que, quando a bubônica atacou, "quem almoçava com os amigos", como observou Boccaccio, "jantava com seus ancestrais no Paraíso".

O Odor e os Perfumes

O verão europeu era um escândalo em cheiros fortes. Além dos chamados odores naturais, os miasmas que envolviam uma cidade ou vilarejo sem esgotos, passar em frente a uma igreja entre junho e agosto era uma temeridade. Os mortos ilustres, os bispos, os padres, os mestres da capela, os figurões locais eram sepultados no chão delas. Imaginem o suplício em ter-se que assistir, no calor, uma missa! Lá debaixo daquelas tábuas, que deviam ser sagradas, os defuntos expeliam isso sim os vapores dos infernos. Daí os franceses lançarem-se a combatê-los com uma profusão de perfumes.

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