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A Morte de Tito e a Dissolução da Iugoslávia


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Tito, herói de guerra e unificador dos iugoslavos

Quando Tito veio a falecer, em 4 de maio de 1980, entrou em efetiva prática uma constituição, adrede preparada, que tinha por objetivo alcançar a rotatividade do poder executivo para que daquele modo nenhuma das etnias se sentisse excluída do poder central. A cada período legislativo, seria um representante de uma das seis etnias maiores quem assumiria a chefia do governo. Durante dois anos, o mandato presidencial seria de um croata, depois de um sérvio, em seguida de um esloveno, e assim por diante. Não era possível adotar o sistema da eleição direta para a chefia do executivo porque, se assim fosse feito, sempre seria sufragado um sérvio, pois eles eram a maioria entre as etnias que compunham a Iugoslávia. O calcanhar de Aquiles do sistema rotativo era de que justamente aquele que deveria representar a unidade de todos os iugoslavos, o seu presidente da república, era constitucionalmente um figura frágil. Nenhum dos presidentes escolhidos pelo parlamento da federação tinha a estatura de Tito, nem estava respaldado pelo voto majoritário da população. Não demorou muito para que tudo começasse a desandar.

As Causas Diretas


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A.Izetbegovic, muçulmano bósnio

Com o decorrer dos anos seguintes à morte de Tito, o sistema da presidência rotativa mostrou sua inadequação. A isso somou-se o desastre dos comunistas na antiga União Soviética. A soma desses dois fatores (a crise da alternância do poder na Iugoslávia e o esvaziamento do comunismo no Leste europeu) provocou uma série de anúncios unilaterais de independência. Os eslovenos e os croatas não queriam mais ficar subordinados a uma república onde os sérvios, que eles sempre consideram culturalmente inferiores a eles, fossem maioria. O desaparecimento súbito da URSS provocou um vácuo a leste, fazendo com que os estados da Eslovênia e da Croácia desejassem retornar a sua

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F. Tudjman, nacionalista croata

antiga posição pró-ocidental. Significativo disso foi o fato da Alemanha Ocidental ser a primeira a reconhecer a independência da Eslovênia e da Croácia, dando assim o seu aval ao processo de desmontagem da República Socialista Federativa da Iugoslávia. O mesmo pode-se dizer do Vaticano, quando o papa João Paulo II apoiou o separatismo da católica Croácia, dando mais um passo na sua política de desmontagem do comunismo no Leste europeu.

As Novas Repúblicas e a Guerra Civil


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S. Milosovic, líder nacionalista sérvio

Primeiro foi a Eslovênia a declarar-se separada em 1990, em seguida foi a vez da Croácia e, logo depois, pelos muçulmanos, da Bósnia-Herzegovina. Desgostosos com a perda da cidadania iugoslava, os sérvios, liderados pelo presidente Milosevic, entraram em guerra com seus vizinhos, temendo serem desalojados por eles das regiões que ocupavam, algumas delas desde o século XVII, arrastando toda a região para um guerra intermitente. Na Croácia, deu-se o grande êxodo dos sérvios da Krajina e da Eslavônia oriental quando uns 600 mil deles foram expulsos de volta para a República da Sérvia . Mas, na Bósnia, eles conseguiram manter-se no terço restante do território, formando mais tarde a República Sérvio-Bósnio da Srpska. A Europa, horrorizada, viu-se às voltas com as imagens de campos de concentração, de sítios às cidades, de bombardeios de artilharia, de tiros precisos dos franco atiradores, da morte a sangue frio da população civil. Tudo isso a lembrou da Segunda Guerra Mundial. Cresceu então entre os governos que compunham a Otan o desejo de praticar algum tipo de intervenção armada, já que o boicote de venda de armas determinado pela Onu parecia não ter surtido nenhum efeito em diminuir a violência nos Bálcãs. Foi na Bósnia, em 1995, que se deram os primeiros bombardeios da Otan (em geral aviões norte-americanos) contra os sérvios-bósnios para evitar que eles vencessem a coligação de croatas e muçulmanos apoiados pela Europa Ocidental.

Kosovo


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As ruínas da televisão sérvia em Belgrado

Mal pacificada, a Bósnia, com intensa participação das operações aéreas desencadeadas pela Otan, eclodiu a grave crise da província sérvia de Kosovo. Nela, os albaneses, uns 80% da população, apoiados pelos serviços de segurança americanos e euro-ocidentais, formavam um movimento de guerrilhas visando a independência e a expulsão dos sérvios da região. Como a Sérvia negou-se a outorgar o direito de autonomia aos albaneses, suprimido em 1989, intervindo pesadamente em Kosovo na repressão ao terrorismo albanês, a Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), alegando que os albaneses provavelmente seriam as futuras vítimas da política de limpeza étnica desencadeada por Milosevic, decidiu bombardear Belgrado e outros pontos considerados estratégicos da República da Sérvia e mesmo de Kosovo. O objetivo maior era obrigar o presidente Milosevic à rendição e ao abandono de Kosovo e, em seguida tomar as medidas para a sua futura derrubada. Feito isso, a Otan determinou que suas tropas - O KFOR - ocupassem militarmente Kosovo.

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