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O Iraque e o
Sonho de Lawrence da Arábia


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A porta do profeta

O Iraque encontra-se submetido a constantes bombardeios aéreos ordenados pelos chefes da coligação anglo-americana, que assim dão uma demonstração de força bruta, ao desabrigo de qualquer lei ou instituição internacional. Esta região do Oriente Médio tem atraído aos seus arredores um volume espantoso de armamentos de todos os tipos exatamente por haver ali a conjugação de poderosos interesses estratégicos ligados ao petróleo com a política desestabilizadora de um ditador trapalhão.

Ingleses em Bagdá

"Em Oxford, eu sonhava em dar forma, enquanto vivesse, à nova Ásia, que o tempo estava nos trazendo inexoravelmente. Meca devia levar a Damasco. Damasco à Anatólia e, depois, a Bagdá. E ainda havia o Iêmen. Tudo isso pode parecer fantasia aos que são capazes de chamar meu começo de um esforço comum."

T.E.Lawrence - Os sete pilares da sabedoria, 1926


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Faiçal I e Lloyd George

Faz mais de oitenta anos, na rota final da Primeira Guerra Mundial, que um exército anglo-saxão, expulsando os remanescentes turcos em março de 1917, entrou em Bagdá. Em Londres o povo e o governo exultaram. A mágica cidade das noites árabes tornava-se mais um jóia da coroa dos bretões. O general Maude, o seu conquistador, vingava assim uma grave humilhação sofrida uns tempos antes, em maio de 1916, quando uma força inteira do exército colonial inglês, comandada pelo general Townshend, depois de sitiada por cinco meses pelos otomanos, rendera-se em Kut-el-Amara. Agora Medina Bagdá era do ingleses. No 1º de outubro do ano seguinte, em 1918, foi a vez de Damasco, a grande cidade da Síria, cair nas mãos da Divisão Montada dos australianos, no comando do general Allenby.

A Promessa


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Árabes e ingleses

Não muito longe dela, em Deraa, Lawrence da Arábia - o oficial de ligação inglês que fora mandado para o deserto para rebelar as tribos contra os turcos - reunia seus guerreiros beduínos para participar da marcha triunfal pelas ruas de Damasco. Todo o Crescente Fértil e seus arredores caíra nas mãos do império britânico, tudo doravante lhes pertencia, das tâmaras às jazidas do ouro negro. Para motivar os povos do deserto a auxiliá-los naquela luta contra a Sublime Porta, os políticos do império haviam assegurado a eles, do xeque ao felá, que, terminada a guerra, os 20 milhões de árabes teriam a sua independência. Não demorou para verem-se enganados.

Os Mandatos

No Tratado de Sèvres, assinado em 1920, os aliados vencedores da guerra, ao redesenharem o mapa do antigo Império Turco Otomano, transformaram as áreas árabes em "mandatos" (o nome envergonhado que o colonialismo criara para disfarçar o seu domínio de fato direto). Confirmava-se assim o que Lawrence anotara nos seus registros sobre a participação dos árabes naquela luta; "estávamos", escreveu ele, "lançando-os ao fogo, aos milhares, para a pior das mortes, não para vencer a guerra, apenas para podermos ficar com o trigo, o arroz e o petróleo da Mesopotâmia" (o atual Iraque). A frustração dos traídos foi imensa.


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A guerra no deserto, 1918

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