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O Príncipe Harry


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O príncipe Harry (1387-1422)

Entre os vários príncipes, das mais diversas dinastias que governaram a Inglaterra desde a conquista normanda do século XI, um dos mais populares e estimados pelos ingleses foi Harry, um jovem incorrigível, brigão e anárquico, que depois, entre 1413-1422, tornou-se um grande rei da Inglaterra, com o título de Henry V. O nome dele voltou à lembrança do povo quando da recente confusão, regada a álcool e maconha, que o jovem Harry, filho do príncipe Charles e da falecida princesa Diana, meteu-se num pub perto de onde mora.

A desgraça de um reino

"Não é sinal de vulgaridade, em mim, ter vontade de beber cerveja fraca? ... com certeza meu apetite não é de natureza real, pois não me sai da idéia essa pobre criatura, a cerveja fraca"

Príncipe Harry - 1ª parte do Henrique IV, de Shakespeare, 1597


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Falstaff, o bufão do príncipe

Na corte dos Lencaster davam o príncipe Harry como um caso perdido. O rapagão era um dissoluto. Era mais fácil encontrá-lo atrás de um caneco de bebida do que folhando um livro. Sentia-se melhor entre o populacho, empinando cerveja e xerez, do que entre os grandes. Expulsaram-no do Conselho Real. O pobre rei Henry IV, muito doente, não tinha mais ânimo em colocar freio e bridão naquele potro inquieto e arisco. O pai achava que aquele filho, "com paixões tão baixas e selvagens" e "ações de tal vileza, impuras", só podia ser uma punição. Para o rei, o príncipe era o seu pior inimigo. Tanto é que o soberano, desgostoso, ainda penalizado no corpo por deformante doença, morreu na Sala de Jerusalém de Westminster, em 1413, como se estivesse, ainda que simbolicamente, em viagem de penitência à Terra Santa.

Mais grave ainda eram as amizades do rebento, os esbodegados com quem ele andava. Um bando de desocupados que se arrastava pelas tavernas de Londres, chefiado pelo pândego-mor Sir John Falstaff, um irresponsável, um divertidíssimo marechal da pirraça e da imprecação, um tipo de Sancho Pança criado por Shakespeare (in King Henry IV, 1597) para acompanhar com disposição ilimitada um príncipe meio doido. O rapaz, incorrigível farrista, escapando do palácio real na calada da noite, acompanhado daquele escudeiro gorducho e estróina, transformara as ruas da capital inglesa na sua província de La Mancha, a qual ele percorria, com intimidade, em busca de aventuras mil.

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