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Os Estados Unidos da Europa


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Se não houvesse a longa guerra fria entre americanos e soviéticos, que se estendeu por mais de 40 anos, é bem possível que a Europa conhecesse sua unificação muito antes de 1992. As duas superpotências, porém, ao transformá-la no palco dos seus desacordos postergaram a formação dos Estados Unidos da Europa em quase meio século.

Europa, República Cristã ou Secular?

"A Europa deve federar-se ou perecer."

Clemment Attlee, líder do Labour, 1939


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Novalis e Kant, visões diferentes da Europa

Acredita-se que a proposta do poeta alemão Novalis, apresentada no seu ensaio Christenheit oder Europa (Cristianismo ou Europa), em 1799, de que a Europa devia esforçar-se em estabelecer uma nova Igreja - inspirando-se na unidade que existira no seu passado cristão medieval -, tratou-se de uma resposta ao seu conterrâneo o filósofo Kant. Este previra em 1795, sob os influxos da Revolução Francesa, que a integração européia se daria nalgum dia do futuro pela formação pacífica de uma sociedade das nações. Novalis, um romântico místico, inclinava-se por uma restauração da república christiana, desaparecida desde a reforma protestante, enquanto Kant, um homem do iluminismo, antevia como solução para a Europa uma liga das nações, uma república secular, humana, constituída por uma federação mundial a ser acertada no devir.

Napoleão e Hitler


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Napoleão e Hitler, dois fracassos europeus

No entanto, nestes dois séculos que nos separam daqueles propostas, a de Kant e a de Novalis, as duas tentativas de unidade européia que foram levadas à prática deram-se através de guerras de conquistas. A primeira delas movida pelo império napoleônico (1799-1815) e a segunda pelas campanhas de Hitler (1939-1945). Ambas goradas nas estepes russas, a tentativa francesa em 1812, a alemã em 1941-44. Talvez, cogito, os europeus, pelos menos os do lado ocidental, pudessem ter acelerado o seu processo de unificação ao término da II Guerra Mundial se tivessem conseguido ampliar o embrião daquela primeira aliança acertada ainda no exílio, a do Benelux, acordada em 1944 pelos representantes belga, holandês e luxemburguês. Poderiam ter começado por aqueles três pequenos países e, a partir deles, irem englobando os demais.

A Pan-Europa


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O conde Coudenhove-Kalergi (1894-1972)

O próprio Churchill, que nos anos 20 não levou muito a sério as iniciativas pan-européias do conde Coudenhove-Kalergi (autor do Pan-Europa, publicado em 1923, considerado o livro que lançou os fundamentos da unidade européia no século XX), acreditava que, encerrada a guerra em 1945, chegara a hora de criar-se "uma espécie de Estados Unidos da Europa". Enfraquecidos porém pela devastação provocada por seis anos de matança (a II Guerra Mundial durou de 1939 a 1945), os europeus vivendo entre ruínas e inanições várias, devastados pelos bombardeios e pelos massacres, tiveram que aceitar a tutela de duas forças extra-européias: uma vinda da América, e outra da Rússia semi-asiática. Os Estados Unidos e a URSS, superpotências rivais, fizeram então da Europa o grande palco das suas desavenças, espalitando-a com foguetes e mísseis nucleares e aquartelando-se por detrás de arames farpados e muros, de onde americanos e soviéticos ficaram rosnando uns para os outros por quase 50 anos.

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