O primeiro morador
 John Adams |
O prédio, com pedra inaugural lançada em 1792, ainda estava longe de ficar pronto quando o presidente John Adams, em novembro de 1800, mudou-se para lá com sua esposa Abigail, a principal conselheira política dele. Era o ano do término do seu mandato e ele desejava registrar o seu nome como o primeiro dos presidentes a vir ocupá-lo. A briga deu-se ao redor de quem seria o seu segundo ocupante, pois naquele mesmo ano de 1800, as eleições presidenciais, como as do ano 2000, terminaram numa confusão monumental.
A embrulhada eleitoral de 1800

Burr x Jefferson |
No final, numa situação até então inédita, disputaram a primeira magistratura dois nomes do mesmo partido, o do Partido Republicano (John Adams, que concorrera à reeleição pelos federalistas, perdera a parada; diga-se que o seu próprio secretário do Tesouro, Alexander Hamilton, falsificou o voto do colégio eleitoral para prejudicá-lo). O presidente e seu vice, um tal de Pickney, haviam ficado, respectivamente, com 65 e 64 dos votos eleitorais, enquanto que deram aos dois candidatos da oposição exatamente o mesmo número de votos eleitorais: 73 para Jefferson e 73 para Burr! A embrulhada deu-se porque não havia uma especificação constitucional para determinar quem, no caso de um empate, deveria ser o presidente e quem ficaria com a vice-presidência (o que levou, em 1804, a aprovação da Emenda XII para corrigir isso). Aaron Burr, oportunista, apesar de ter entrado na chapa como vice, cresceu o olho e não retirou o seu nome para facilitar as coisas (mais tarde, em 1804, Burr matou Hamilton, o líder dos federalistas, num duelo, e em 1807 foi processado por traição).
A reinauguração de Jefferson
Desenrolou-se então uma arrastada novela que ocupou as atenções da Casa dos Representantes até que, somente na 36ª rodada, os parlamentares, majoritariamente federalistas, o partido da situação derrotada, decidiram-se, num desses raros ataques de bom senso, por sufragar Thomas Jefferson. John Adams agastado com tudo aquilo, no dia da posse do seu sucessor, esgueirou-se da cidade sem ser notado e sequer enviou-lhe os cumprimentos. Nos princípios do seu segundo mandato, em 1805, com a Casa Branca finalmente aprontada, Thomas Jefferson, que o tempo todo foi um conciliador, resolveu inaugurá-la oficialmente, convidando o corpo diplomático de Washington para o evento. Uns anos depois, em 1814, uma tropa inglesa invasora, na época da guerra de 1812-14, tocou fogo na Capital e quase a arruinou.
Vândalos internos
 O Capitólio, sede do poder legislativo |
Nada, porém, equivalente ao estrago que a Casa Branca sofreu ao dar-se a festa da posse de Andrew Jackson em 1829, quando seus seguidores do Kentuky e do Tennessee (terra de Al Gore), uma massa selvagem de caçadores e escalpeladores de índios, que viera do Oeste para a posse, encharcados em uísque de milho, mal encerrado o discurso do novo mandatário, invadiu a morada presidencial em fúria alcóolica e destruiu tudo o que encontrou pelo caminho. Andrew Jackson, refugiado num hotel, foi o primeiro mandatário eleito que não pôde dormir na Casa Branca, a qual, em breve, irá provavelmente abrigar as sonecas e longos cochilos de George Bush, o pequeno.