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A Casa Branca

Há dois séculos, em 1800, a confusão se instalou nas eleições americanas para apurar quem, entre Thomas Jefferson e o obscuro Aaron Burr, haveria de ser consagrado no processo eleitoral.

reprodução

Imitando os romanos

"Nós somos todos republicanos, nós somos todos federalistas."
T.Jefferson, 1801

A tradição republicana era tão escassa no Ocidente do século XVIII, dominado por absolutismos, despotismos e tiranias as mais diversas, que ao ocorrerem as grande revoluções liberais, a americana de 1776 e a francesa de 1789, seus líderes, seus arquitetos e seus artistas tiveram que apelar para um simbolismo de antanho, desaparecido há mais de dois mil anos, o dos tempos da Roma Republicana. Se bem que existiam repúblicas na Genebra de Rousseau ou na Veneza dos doges, elas eram regidas por oligarquias
reprodução (David)
As Sabinas - Roma como fonte de inspiração
endinheiradas, bem longe do Estado popular que os revolucionários queriam implantar. Daí os jacobinos franceses considerarem-se os representantes de Brutus, o senador romano que abatera a tirania de César (no caso Luís XVI), e Louis David, o pintor e cenógrafo da revolução, encenar nas telas e nos seus desfiles, os feitos patrióticos dos Horácios, das Sabinas, além de organizar majestosos funerais cívicos inspirados nos solenes desfiles dos romanos.



Construindo a capital

O mesmo deu-se com os norte-americanos. Quando pela Ata do Congresso de 1790 o presidente George Washington ordenou a fundação de uma futura capital "às margens do rio Potomac, medindo dez milhas quadradas", que serviria como a sede do poder da União recém-implantada, o urbanista contratado, o francês Pierre L'Enfant, também modelou seu projeto nos traçados romanos, que, como se sabem foram eméritos construtores de cidades. Foi ele, L'Enfant, quem fixou que a localização do Capitólio (diretamente inspirado na Roma Antiga) e também a da Residência Presidencial, a ser erguida no número 1600 da Avenida Pensilvânia.

O simbolismo da Casa Branca

reprodução
Símbolo da pureza e da retidão
Para construir a Casa Branca (o nome só tornou-se oficial com Theodore Roosevelt, em 1902), escolheram James Hoban, um arquiteto irlandês que arrebatou o prêmio de US$500 dólares e cujo projeto parece ter agradado a todos. O importante, para o universo simbólico, era que a habitação do poder executivo era bem menor do que o do legislativo. O Capitólio, onde se encontrava o Senado e a Casa dos Representantes, era um gigantesco complexo de salões, salas e escritórios, abrigando as vastas ambições daquela república então nascente. Além disso, a escolha da cor branca tinha um poderoso significado: a residência do presidente também devia ser a morada da pureza, da integridade e das boas intenções com que o seu transitório ocupante pretendia edificar o novo regime nas américas.

Simples, inspirada em Palladio, com harmônicos traços clássicos bem acentuados, com vinte e uma janelas e uma discreta porta de entrada numa frente sustentada por quatro colunas (seis nos fundos), a Casa Branca, apesar de possuir 100 peças, contrastava ostensivamente com a ornamentação luxuosa, exageradamente barroca, da maioria dos palácio reais europeus.

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