Tony Blair e Neotrabalhismo
O primeiro-ministro da Grã-Bretanha, Tony Blair, eleito em 1997, é um dos líderes da globalização. De sólida tradição dentro do Partido Trabalhista, procurou conviver com as transformações neoliberais aplicadas pela administração de Margareth Tatcher, dando-lhes, porém, uma inflexão social. Ele ambiciona pôr em prática a política internacional da chamada Terceira Via, afastando-se ao mesmo tempo do conservadorismo e do socialismo.
A Inglaterra, terra da tolerância
"Eles têm idéia diferente das nossas porque são todos socialistas, mas precisam ter uma chance e devem ser tratados com sinceridade"
O rei George V à sua mãe, em 1923
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Marx, o doutor subversivo
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Não houve militante esquerdista nos dois séculos passados que não se refugiasse na Inglaterra. Lá viveu
Karl Marx, que passou praticamente toda a sua vida adulta agitando, escrevendo e peregrinando, empobrecido, de um bairro a outro, por Londres inteira. As autoridades nem se abalaram quando o "doutor vermelho" recorreu à biblioteca do Museu Britânico para escrever
O Capital ou participou da fundação da I Internacional Socialista em 1864, uma instituição que, afinal, pregava a revolução mundial.
Igualmente permitiram que Michael Bakunine e o príncipe Kropotkine, líderes anarquistas procuradíssimos pelos governos do resto do continente, lá residissem e conspirassem em paz. Também não tomaram conhecimento do célebre encontro, ocorrido em 1902, entre Lenin e Trotsky na Holford Square, 10, que selou o destino da futura revolução russa. Muito menos quando os socialistas russos, procurados e caçados pela policia do czar, lá reuniram-se num congresso em 1903 (de onde nasceram as facções dos bolcheviques e a dos mencheviques, principais atores da revolução russa de 1917). A Inglaterra, enfim, como notou Voltaire nos começos do século XVIII, bem antes de todos, era um paraíso da tolerância.
O conformismo dos operários ingleses
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As fábrica inglesas, operários conformistas
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Em nenhum momento temeram que sua classe operária se deixasse contaminar por aqueles evangelistas da revolução. Tanto é que um dos heróis dos trabalhadores era o chefe dos liberais: o ministro Gladstone! O conformismo do operariado da ilha, o maior da Europa, era um enigma. Engels, além de compará-lo a uma rocha imune ao acosso das marés revolucionárias, interpretou-o como resultado, ainda que indireto, do usufruto material que gozavam pela existência de um mercado mundial controlado por Londres. Não faltou razão, pois, a Elie Halévy quando afirmou "não existir país no mundo em que as palavras-de-ordem revolucionárias tiveram tão pouco poder sobre as organização operárias como na Inglaterra."
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