As Américas,
entre o Mercosul e a Alca
Com a crise de confiança no Mercosul, a partir da desvalorização do real operada em 1999 pelo governo brasileiro (o dólar saltou de R$ 1,20 para R$ 2,20), a Argentina, o outro grande integrante do bloco econômico, mergulhou na estagnação. Endividada em 128 bilhões de dólares, o país do Prata só pode resgatar seus compromissos financeiros internacionais caso obtenha moeda forte, o que implica em romper com a Lei da Conversão de 1991, que fez o peso argentino ter um valor equivalente ao dólar americano.
Entre o Mercosul e a Alca
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O bom governo, mural irônico de Diego Rivera
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Neste momento, surge de maneira mais visível no horizonte, como outra alternativa integradora dos mercados latino-americanos, a perspectiva da formação da
Alca (Área de Livre Comércio da América). Ela propõe-se, já no ano de 2005, associar os 34 países (35, se Cuba aderir no futuro) que compõem as três Américas, e seus 800 milhões de consumidores potenciais, numa área de negócios e serviços em comum. Implica isso entretanto, na aceitação da total hegemonia norte-americana, o que fere os sentimentos e as susceptibilidades nacionalistas e étnicas dos seus vizinhos. As repúblicas sul-americanas encontram-se desde já num dilema, ou procuram ainda solidificar o Mercosul, ou voltam-lhe às costas em favor de uma inserção mais rápida na
Alca.
Simón e Hamilton
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Bolívar e Hamilton, propostas antagônicas
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Dilema este que, de certo modo, reproduz nos dias de hoje duas antigas propostas opostas para as Américas que foram formuladas há quase dois séculos atrás, no ano de 1815, totalmente independentes uma da outra. Uma delas foi a de Simón Bolívar, o Libertador da América hispânica; a outra apresentou-a o secretário do tesouro dos Estados Unidos, Alexander Hamilton, que havia lutado pela independência dos Estados Unidos da América. Sem nenhum deles saber da existência da do outro, eles fizeram proposições que não podiam se coadunar.
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