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Madri valente

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» Madri: atacando a fortaleza
 
Não é a primeira vez que Madri, ao longo de sua história como capital da Espanha e do Império Espanhol, sofre uma violência de grandes proporções. Em maio de 1808, os madrilenhos insurgiram-se contra a presença das forças de Napoleão que, em represália executaram um massacre contra a população civil.

Horror imortalizado nas telas de Francisco Goya. A outra vez deu-se em julho de 1936 quando as massas saíram às ruas da cidade para defender a República da Frente Popular ameaçada pelo golpe do general Franco, tomando à força, com muitas vítimas civis, o quartel dos militares golpistas. Reação popular que desencadeou o bombardeio de Madri, ordenado pelo general Franco.

Cercada pelo exército da África

Os massacres de maio de 1808 (tela de Goya)

"Nesta árida terra/ nesta meseta perfurada por rios/ nossos pensamentos encarnam-se nos corpos...E Madri é o coração"
W. H. Auden - Madri, 1936

Anunciado o pronunciamento militar em 18 de julho de 1936, quatro colunas fortemente armadas, saindo da Estremadura, do sul da Espanha, se puseram a marchar sobre Madri. Os principais comandantes militares liderados pelo general Francisco Franco, declararam guerra ao seu próprio governo, o da República dos Trabalhadores. Aos gritos de “Viva Cristo Rei! Arriba Espanha!”, a Espanha católica, tradicionalista e hierárquica - uma coligação formada pelos quartéis, pelos palácios e pelo que Pablo Neruda chamou de “raivosas sacristias”- revoltava-se com armas na mão para derrubar a República Vermelha, a Frente Popular formada por republicanos, socialistas, anarquistas e comunistas que havia ganho as eleições de fevereiro de 1936.

As tropas faziam parte do Exército da África, majoritariamente integradas pelos regimentos mouros vindos do Marrocos, então subjugado pela Espanha, e também pela Legião Estrangeira. Forças essas que, decolando de Fez, haviam alcançado o solo espanhol graças a ponte aérea formada por aviões de transporte oferecidos por Mussolini e por Hitler.

O general Videla, o responsável pela ofensiva contra Madri, esperava inicialmente contar com o apoio do Quartel da Montanha, o mais poderoso aquartelamento da capital, controlado pelo general Fanjul. Seria uma operação relativamente simples. Enquanto as quatro colunas acercavam-se da cidade vindas do oeste, havia a expectativa que ocorresse uma insurreição dentro da cidade, promovida pela “Quinta coluna”. O que permitiria a captura e imediata deposição do governo republicano. Os fados, todavia, dispuseram diferentes.

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