Educação História por Voltaire Schilling Atualidade
Boletim
Receba as novidades no seu e-mail!
Fale conosco
. Envie releases
. Mande críticas, dúvidas e sugestões
EducaRede
Entre no portal da escola pública
História - Atualidade
ATUALIDADE

Bolívia: entre o gás e a coca

Leia mais
» Bolívia: tirania e revolução
» Bolívia: entre o gás e a coca
 
Passado meio século da Revolução de 1952, só lhes restou, às comunidades indígenas, ampliar as plantações de coca e vendê-la aos traficantes para abastecer o insaciável mercado dos Estados Unidos. Os americanos, claro, opõem-se, pois sabem que o pó vai parar nas narinas e nas veias da juventude deles. Enviaram dinheiro, por meio da DEA, para amortizar a redução do plantio (estima-se entre U$ 100 a 200 milhões), mas parece que bem poucos dólares chegaram às mãos dos índios, devorado pela mão-grande da burocracia e dos políticos de La Paz. A pretexto da venda do gás, deu-se então esta Revolução da Coca, na qual o cholo Evo Morales e Quispe, o líder indígena conhecido como El-Malku, reivindica a retomada da liberdade de plantio assim como a suspensão da exportação do gás natural.

Note-se que o consumo de coca entre os indígenas tem outras utilidades do que aquela do vício. Mastigar folhas de coca é um hábito milenar cultivado entre eles, que ajuda a combater a fome naquelas elevadas alturas andinas (o país está situado numa média de 3 mil metros de altitude) e também o mal-estar provocado pela rarefação do ar (El soroche).

Dono de uma imensa reserva , estimada em 1,5 trilhão de m³, o último governo desejou ampliar a exportação de gás para os Estados Unidos, remetendo a carga por um porto chileno (situado num território que antes pertencia a Bolívia). O anúncio dessa decisão foi a gota d’água para as comunidades indígenas, associadas ao COB (Central Obrera Boliviana), se rebelarem em nome do nacionalismo. Não querem que o gás seja vendido nas condições atuais (Evo Morales, líder do Movimento pelo Socialismo, reclama a participação em 50% dos lucros, enquanto que o consórcio do gás, formado por empresas estrangeiras [uma espanhola, uma inglesa e outra americana] ofereceu tão somente 18%) E muito menos que passe pelo território que os chilenos anexaram em 1879, pois dizem que não podem confiar no governo do Chile.

A questão do gás

O palácio presidencial Casa Queimada, em La Paz
Direito de Exploração: Consórcio LNG - Empresas: Repsol (espanhol); British Gas (GB); Panamericana Gas (EUA)
Empresa compradora - Sempra Energy da Califórnia
Valor da exportação a ser recebida para Bolívia - U$ 4 a 5 bilhões em 20 anos (equivalente a 18% do valor total)

Atendendo ao apelo do tipo “O gás é nosso”, milhares de manifestantes, camponeses, lavradores, reforçados pelos trabalhadores das minas, desceram dos Andes para protestarem na capital, enfurecidos ainda mais pelos graves incidentes ocorridos entre a polícia e os lavradores num lugarejo do interior, a 70 quilômetros de La Paz.. Enquanto isso, deram-se levantes em outras localidades como em Cochabamba. Para evitar mais derramamento de sangue, depois de registrarem 70 mortos nos enfrentamentos populares com a polícia e o exército, o presidente Gonzalo Sanchez Lozada renunciou, cedendo seu posto ao vice-presidente, Carlos Mesa, que assumiu o poder alçando a bandeira da pacificação nacional.

Nota:
A fronteira do Brasil com a Bolívia, "delimitada" pelo Tratado de Amizade, Limites, Navegação e Extradição (1867), chamado de Tratado de Ayacucho, pelo Tratado de Petrópolis (1903), pelo Tratado de Natal (1928), e pelas Notas Reversais de Roboré (1958), tem uma extensão de 3.423,2 km e está perfeitamente "demarcada". Os trabalhos de "caracterização", estão a cargo da Comissão Mista Demarcadora de Limites Brasileiro-Boliviana (criada em 1941), que já tem implantados 426 marcos. Em sua extensão total, a linha-limite percorre 2.609,3 km por rios e canais, 63,0 km por lagoas e mais 750,9 km por linhas convencionais.

Bibliografia
Finot, Enrique e Gumicio, Mariano B.– Nueva Historia de Bolivia/Historia contemporanea de Bolivia , La Paz, Gisbert Libreros Editores 1980.
Santos, Luís Cláudio Villafañe G. – O Império e as republicas do Pacífico, Curitiba, UFPR, s/d.

página anterior     
Veja todos os artigos | Voltar