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Grã-Bretanha: Ellsberg e os documentos do Pentágono
Transcorrido um tempo a opinião pública americana ficou chocada com uma revelação: o incidente do Golfo de Tonquim fora fabricado pelo Pentágono como uma justificativa para ampliar o envolvimento do país naquela região. O autor da denúncia não era nenhum jornalista furão, mais sim alguém vinculado à elite dos guerreiros de gabinete do Departamento do Estado. Daniel Ellsberg, formado em Harvard, um quadro da Rand Corporation, tinha um currículo impecável que o fizera cair nas graças de Henry Kissinger, que admirava-lhe a inteligência. Indignado com que descobrira, Ellsberg tratou de copiar 7 mil páginas de documentos confidenciais encontrados nos arquivos do Pentágono, revelando a extensão da trama que conduzira o seu país ao atoleiro vietnamita. Como nenhum político interessou-se em divulgar aquela bomba com medo de parecer antipatriota, Ellsberg fez a papelada – os Pentagon Papers - chegar à redação do The New York Times que prontamente passou a publicá-la. O presidente Richard Nixon, furioso com o vazamento, tentou impedir o grande jornal de continuar com a série, mas a Suprema Corte de Justiça, no dia 30 de junho de 1971, por 6 votos a três, deu ganho de causa ao diário por acreditar que a censura violaria a liberdade de imprensa. Voltou-se então, o govenro Nixon, contra Ellsberg que, desde então, passou o diabo. A equipe de “truques sujos” de Gordon Liddy, a serviço da presidência, invadiu o consultório do psiquiatra de Ellsberg com o intento de encontrar algo que servisse para desacreditá-lo: saber de alguma secreta perversão que, se exposta, o levaria ao suicídio. Ele sobreviveu e ainda lançou suas memórias intituladas “Secrets”, pela Viking Press, em 2002. Tornara-se um clássico exemplo do conflito entre a consciência do indivíduo em colisão com a Razão do Estado (o conhecido principio maquiavélico que diz que a mentira é um recurso válido do governante desde que usada em nome da segurança ou da expansão do estado).
O caso do Dr. Kelly, a versão britânica
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Capa das memórias de D.Ellsberg
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Transcorridos mais de trinta anos, o caso Ellsberg tem a sua versão britânica. Segundo o que se soube, o cientista David Kelly (*), embaraçou-se pela pressão que o seu departamento especializado em armas químicas e biológicas sofreu por parte da tropa de choque do governo trabalhista - liderada pelo ministro da comunicação Alastar Campbell e por Andrew Mackinlay, chefe das relações públicas do Labour Party -, para “ esquentar “ o perigo das armas de destruição em massa em posse de Saddam Hussein (com a intenção de obter a legitimidade frente a opinião pública interna para destruir o Iraque). Então, constrangido, ele teria vazado a trama para Andrew Gilligan, um jornalista da BBC. Porém, ao contrário de Nixon, que fracassou, a turma de Tony Blair mostrou-se mais eficaz em levar o pobre homem - uma personagem digna e honrada -, a se suicidar. Sejam quais forem as conseqüências desse episódio, o atual primeiro-ministro foi profundamente abalado na sua credibilidade junto à opinião pública e ao parlamento do Reino Unido que sentiram-se enganados pelo chefe do governo. (*) O Dr. David Kelly integrava os quadros do Ministério da Defesa da Grã-Bretanha. Era um microbilogista especializado em armas de destruição em massa. Entre os anos de 1994-8, ele esteve por 37 vezes no Iraque realizando inspeções a serviço da Unscom, o órgão da ONU encarregado de verificar a desativação do programa de armamentos do Iraque.
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