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Guerras de libertação
Os seres humanos são animais estranhos. Ao contrário dos lobos, quando em guerra matam somente em nome de uma boa causa, só empunham o tacape, a lança, o fuzil ou o míssil, se lhes derem um pretexto nobre para a agressão que irão cometer. Não gostam de assassinar ninguém a frio por impulsos rasteiros da cobiça ou da simples sanguinolência. É impensável arrastar homens normais para um demorado combate sem um apelo grandiloqüente, sem fazê-los acreditar que reparam uma grave injuria ou emancipam alguém - uma tribo, um povo, uma nação - de um tormento qualquer, real ou imaginário.
Sempre há um motivo nobre
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Menelau liberta helena do cativeiro (Guerra de Tróia)
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Por conseguinte, todas as guerras travadas ao longo da história sempre foram "guerras de libertação", ou "guerras de salvação". A começar pela guerra-mãe do Ocidente, travada na Era do Bronze, a Guerra de Tróia, motivada não pelos aqueus de Agamémnon e Ulisses poderem saquear a cidade de Príamo, mas sim para libertar a bela Helena, cativa do principe Páris. Quando Alexandre, o Grande, invadiu a Ásia, em 334 a.C., ele não a conquistou por qualquer motivo econômico, mas sim para libertar os povos da região do despotismo dos reis persas. Quando os generais romanos, a partir das campanhas de César, entre 58-54 a.C., espalharam as suas legiões por quase todos os lados do mundo antigo, batendo feio em quem se rebelava, era para libertar os gentios das desordens em que se encontravam. É certo, sabe-se, que não viam mal nenhum em trazer para casa, em desfiles triunfais, o que haviam pilhado dos povos que escravizavam. Nada senão que um pequeno óbolo ao meritório serviço que prestavam ao mundo todo com suas tropas pacificadoras. Nem a conversão dos romanos e dos germanos ao cristianismo, a partir do século IV, mudou essa rotina. Carlos Magno, por exemplo, o imperador dos francos, massacrou boa parte dos saxões depois da vitória no Campo de Marte de Paderbom, no ano de 777, (que com todos os motivos o apelidaram de Sachsenschlachter, o açougueiro dos saxões), para livrá-los dos males do paganismo, visto não acreditar conseguir convertê-los à Cruz senão que pela tirania das armas.
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