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EUA X Europa: Marte e Vênus

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O desacerto atual entre americanos e europeus, expresso no aberto desacordo sobre a Guerra do Iraque, não é coisa transitória, algo a ser superado numa futura rodada de encontros entre os chefes de estado. É de fundo bem mais grave, e talvez irreversível. Essa é a opinião taxativa de Robert Kagan, um dos tantos homens de Reagan, que entrou no combate das idéias a favor da guerra preventiva do govenro Bush, em nome da segurança dos Estados Unidos, pois ele vê a America alinhar-se com Marte , o deus da guerra, enquanto a Europa, museu de antigos impérios coloniais, encontra-se na órbita de Vênus, a deusa do amor e da temperança.

Nas delícias da paz kantiana

Marte ,o deus dos americanos; Vênus a deusa dos europeus

"Quando os grandes poderes europeus eram sólidos eles acreditavam na força e na glória marcial. Agora eles vêm o mundo através de olhos de poderes enfraquecidos. Tais pontos de vista muito diferentes, forte versus fraco, naturalmente produziram julgamentos estratégicos distintos, diferentes avaliações das ameaças e os próprio meios para afastá-las, e até diferentes cálculos de interesses."
Robert Kagan- Power and Weakness, in Policy Review, junho 2002

Para Kagan o pacifismo atual dos europeus, pelos menos dos franceses, alemães e russos - herdeiros de ex-impérios desmotivados (a expressão é do irreverente Peter Sloterdijk) – deve-se a que eles enxergam o mundo com outros olhos. Preocupados em usufruir das delicias da longa paz que conquistaram, depois de duas guerras devastadoras e sangrentas, eles tendem naturalmente a tratar os desafios com bonomia, espírito de concórdia e apaziguamento.

Gozando de um invejável padrão de vida, inédito na história européia, pelo menos na sua parte ocidental, não se mostram dispostos a cortar as despesas do bem-estar social para despender dinheiro em mísseis, aviões e tanques. Ao longo da Guerra Fria, deixaram isso tudo para os americanos, jogando nos ombros de Washington assumir os gastos com a segurança coletiva do ocidente. O universo róseo em que a maioria dos europeus vive, assegura Kagan, é o mundo do Kant da Paz Perpétua, manifesto utópico-pacifista escrito em 1795, quando o filósofo propôs a fundação de uma Liga das Nações para suprimir as guerras do horizonte da humanidade. Tudo muito bonito só que isso levou a Europa à impotência.

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