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As guerras do Golfo Pérsico

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» Golfo Pérsico: conclusões
 
Tida por muitos séculos como uma região desimportante sob o ponto de vista econômico, a região do Golfo Pérsico, especialmente depois da IIª Guerra Mundial, passou a deter as atenções do mundo inteiro pela importância cada vez maior que o petróleo passou a assumir no século XX. A riqueza impressionante do seu subsolo, que acolhe mais de 60% das reservas de óleo cru conhecidas, terminou por gerar cobiças e desejos de conquista e dominação, fazendo do Golfo Pérsico uma interminável praça de guerra.

A região do Golfo Pérsico foi, por séculos a fio, uma área pobre, esquecida e abandonada do mundo. Só despertava o interesse das expedições arqueológicas, visto ser o epicentro das imemoriais culturas mesopotâmicas, nascidas nas margens dos rios Tigre e Eufrates (como a da caldéia, da assíria e da babilônia, consideradas matrizes da civilização). Historicamente, ela separa o mundo árabe dos persas, e, até 1918, fazia a fronteira entre o reino da Pérsia e o Império Turco Otomano, a verdadeira potência daquela região. Até então, o Império Britânico tinha uma pequena presença por lá, limitando-se a tutelar, desde o século XVIII, o emirado do Kuwait e controlar o estreito de Omã.

Algo espetacular, porém, ocorreu em 1908. No subsolo da Pérsia, encontrou-se um rico lençol de petróleo, o suficiente para que a Royal Navy, a esquadra britânica, substituísse, a partir de 1914, o carvão por óleo, como o principal combustível dos seus navios, tornando o Golfo Pérsico um lugar estratégico importantíssimo. Em 1917, os britânicos, em guerra contra o Império Turco, conquistam Bagdá, tornado-a sede do seu domínio sobre a antiga Mesopotâmia.

Novos lençóis de petróleo foram encontrados nos anos vinte e trinta do século XX no Iraque, no Kuwait, nos Emirados Árabes, e também na Arábia Saudita, sendo explorados por companhias britânicas e depois americanas. Entrementes, com a explosão da indústria automobilística e a subsequente revolução dos transportes, o petróleo do Golfo Pérsico passou ser mais importante ainda. Hoje, estima-se que o subsolo da região abrigue 2/3 das reservas mundiais, ou seja 696.2 bilhões de barris.

Principal importador e dono dos maiores contratos de exploração da região, os Estados Unidos, potência vencedora da Segunda Guerra Mundial, fizeram do Golfo Pérsico a sua área estratégica preferencial, concentrando ali um número impressionante de bases militares, terrestres, aéreas e navais. Para melhor protegê-la, apoiaram os regimes monárquicos locais (o reino saudita e o xarado do Irã), sobre os quais exerciam tutela política e militar.

Revolução e guerra

Tanque de guerra, o veículo mais comum no Golfo Pérsico
O controle ocidental sobre o Golfo Pérsico começou a ser ameaçado devido a dois acontecimentos espetaculares que estão entrelaçados: em 1979 o xarado do Irã, principal aliado de Washington, foi derrubado por uma revolução popular liderada pelos chefes religiosos iranianos, os aiatolás, que imediatamente voltam-se contra os americanos (denominado por eles como os agentes do “Grande Satã”). Quase em seguida, no ano de 1980, estoura a Primeira Guerra do Golfo, ocasião em que o vizinho Iraque, dominado por Saddam Hussein, ataca o Irã de surpresa, querendo aproveitar-se do caos em que o país se encontrava, devido à revolução xiita, então em andamento. A partir daquele momento, o Golfo Pérsico vai conhecer uma instabilidade quase que permanente.

A emergência do Iraque

O Oriente Médio e o Golfo Pérsico
Ocupada pelos britânicos em 1917, a Mesopotâmia - num acerto com os franceses combinado no Tratado de Sèvres, de 1920 - , tornou-se um protetorado da Coroa de Sua Majestade. Em 1921, os ocupantes entregaram o trono do Iraque ao rei Faisal I, da família Hachemita . a mesma que governava a Arábia e a Jordânia. Na verdade, tratava-se de um reino títere, pois os britânicos controlavam o exército, a força pública e os poços de petróleo (através da Irak Petroleum Company, fundada em 1927). Em 1932, juntando as províncias de Mossul, Bagdá e Basra, a monarquia iraquiana alcançou uma independência pró-forma sem que isso abalasse os interesses britânicos na região, mas voltou a ser reocupada por ordem de Londres em 1941, para evitar que os nazistas conquistassem seus poços de petróleo.

A monarquia Hachemita pró-britânica, foi finalmente derrubada por um sangrento golpe republicano em 1958, ocasião em que o rei Faisal II e seu filho Abdula foram mortos por ordem do general Karim Kassem. Naquela época, o Oriente Médio, tal como a maior parte do Terceiro Mundo colonizado, fora sacudido pela onda nacionalista que insurgiu-se contra o domínio dos impérios coloniais europeus. Desencadeado por primeiro no Egito, onde era forte a presença britânica, o movimento nacionalista árabe liderado por Gamal Nasser tomou o poder no Cairo em 1953 (oportunidade em que aboliram com a monarquia colaboracionista do rei Farouk). Desde então, o nasserismo (nacionalismo + autoritarismo) serviu como modelo para os demais militares nacionalistas do Oriente Médio na sua busca pela autodeterminação política e liberdade econômica, servindo como exemplo a ser seguido na Argélia, no Iraque, no Iêmen, no Sudão e na Líbia.

As ambições de Saddam Hussein

Durante os dez anos seguintes, de 1958 a 1968, o Iraque viu-se palco de terríveis lutas internas, nas quais os nacionalistas do partido Baaz (fundado antes na Síria, por Michael Aflak nos anos 40) conseguiram impor-se sobre seus rivais, a ferro e a fogo. Sendo um mosaico de etnias (árabes, assírios, iranianos, curdos, etc...) e de rivalidades religiosas (sunitas versus xiitas), o poder no Iraque quase sempre foi disputado a tiros e mantido por meio de repressão e de massacres. Duas medidas nacionalista então atingiram os interesses da companhias anglo-americanas: a primeira delas foi a nacionalização do petroleo iraquiano, ocorrida em 1966, e a segunda foi a estatização da Irak Petroleum, em 1972.

Um nome então começou a despontar dentro do partido Baaz, o de Saddam Hussein, um ex-pistoleiro que participara do fracassado atentado ao general Kassem (acusado pelos nacionalistas árabes de ser muito próximo dos comunistas), e que dali por diante, como chefe do CMR (o Comitê Militar Revolucionário, órgão dirigente supremo do Iraque) se manteria no poder por meios repressivos e violentos. Nos anos 70, ele tornou-se o verdadeiro homem-forte do Iraque, desenvolvendo, graças aos lucros do petróleo, uma intensa politica de modernização do país (ensino público e saúde gratuitas, investimentos em infra-estrutura, hospitais, pontes, estradas de rodagem e de ferro, inclusive energia nuclear, liberalização feminina, etc.).

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