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Golfo: intervenção norte-americana

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Apoiado na resolução nº 678 da ONU - que ordenava ao Iraque a imediata evacuação do Kuwait até o dia 15 de janeiro de 1991 - , o presidente dos Estados Unidos, George Bush mobilizou a opinião publica mundial contra Saddam Hussein. Era indefensável a guerra de anexação que o ditador se lançara. Organizando a Operação Escudo do Deserto, o presidente americano conseguiu a adesão de 28 países na sua campanha anti-Iraque, fazendo também com que as despesas da operação fossem pagas por diversos países interessados na estabilidade do Golfo Pérsico (especialmente o Japão e a Europa Ocidental).

Como Saddam Hussein não podia voltar a trás sob pena de desmoralizar-se frente à coalizão ocidental, (especialmente das tropas anglo-americanas), no dia 17 de janeiro teve início a Operação Tempestade do Deserto. Durante 47 dias, Bagdá e outras cidades importantes do Iraque foram bombardeadas, sendo que o exército iraquiano capitulou no dia 27 de fevereiro depois de um devastador ataque dos anglo-saxãos, sob o comando do general Norman Schwartkopf. Batendo em retirada, Saddam Hussein determinou a destruição e o incêndio de mais de 300 poços de petroleo do Kuwait, o que causou uma descomunal tragédia ecológica no Golfo Pérsico.

Os Estados Unidos ocupam a região

A ação bem sucedida dos americanos devia-se a um motivo bem simples. Por razões estratégicas, econômicas e geopoliticas, os Estados Unidos, a única hiperpotência do planeta e o maior consumidor de petróleo do mundo (*), não podiam aceitar que as mais importantes reservas do ouro negro de toda a Terra caíssem no controle de um homem só. A conseqüência direta disso foi que os Estados Unidos resolveram então acampar definitivamente ao redor da Península Arábica, montando bases militares, terrestres, aéreas e navais, nos emirados da região (no Kuwait, no Catar, no Bahrain, no Iêmen e em Omã, e igualmente na Arábia Saudita).

Com a poderosa 6º frota navegando no Mar Mediterrâneo e outra esquadra dominado o Mar Arábico e o Golfo Pérsico, o mundo árabe viu-se cercado por todos os lados. Exatamente por isso, por não retirar suas tropas depois da Guerra do Golfo em 1991, os Estados Unidos se viram alvos de atentados dos fundamentalistas muçulmanos, liderados por Osama Bin Laden, que consideram a presença dos soldados americanos uma profanação ao Ummã, a terra sagrada do Islã.

(*) o consumo de petróleo dos EUA é de 33/barris-dias por habitante. O da Europa é 22 barris/p/habitante e o do Brasil é de 4.

A punição ao Iraque

Além de ter estimulado os xiitas no sul e os curdos no norte a rebelarem-se contra Saddam Hussein, os Estados Unidos fizeram com que fossem adotadas severíssimas sanções contra o regime iraquiano, isolando-o do mundo. Duas Zonas de Exclusão Aérea foram fixadas no Iraque, uma no paralelo 33° e outra no paralelo 36°, a pretexto de proteger os curdos e os xiitas de um possível ataque aéreo. Elas se tornaram uma verdadeira camisa de força na qual o Iraque ficou preso. Além disso, o Iraque somente poderia exportar petróleo no valor de 5 a 6 bilhões de dólares/ano, valor insuficiente para atender as necessidades alimentares e as carências gerais da população iraquiana.

Medidas essas que fizeram com que, em dez anos de embargo, de 500 a 600 mil crianças perdessem a vida por falta de assistência e de remédios. E, como humilhação definitiva, o Iraque deveria acolher uma equipe de inspetores da ONU para verificarem e supervisionarem in loco o desmantelamento de todas as possíveis armas de destruição em massa que ainda teriam restado nas mãos do regime de Saddam Hussein (químicas, biológicas ou nucleares). Em 1998, os inspetores da ONU foram denunciados por acolherem em seu meio espiões a serviço da CIA e o Iraque exigiu então que eles fossem expulsos do país. De fato, eles recolheram informações que serviram aos bombardeios pontuais que a aviação anglo-americana continuou fazendo sobre alvos iraquianos nas Zonas de Exclusão Aérea, além de tentarem inutilmente localizar o paradeiro de Saddam Hussein para que um comando especial pudesse vir a assassiná-lo.

A terceira Guerra do Golfo Pérsico (2003)

Depois dos atentados de 11 de setembro de 2001, quando as Torres Gêmeas do World Trade Center de Nova Iorque e o edifício do Pentágono em Washington foram alvo de um espetacular atentado cometido pelos sahids, os suicidas mártires do grupo Al Qaeda, o Iraque voltou a ordem do dia. O governo do presidente George W.Bush, em nome da “ guerra global contra o terrorismo”, passou a acusar Saddam Hussein de esconder armas de destruição em massa e de desprezar as resoluções da ONU que exigiam o desarme total e completo do país. Alegou que mais tarde ou mais cedo, o ditador alcançaria aquelas armas a grupos terroristas e esse as usariam contra cidadãos americanos. De fato, o grupo de falcões - direitistas chamados de neoconservadores - que faz parte do governo republicano (Donald Rumsfeld, Paul Wolffowitz, Dick Cheney), homens do Pentágono sedentos de vingança, tem planos de recolonizar o Oriente Médio, submetendo toda a região ao controle direto ou indireto dos Estados Unidos.

Depois de que o Conselho de Segurança da ONU negou-se a autorizar uma guerra preventiva contra o Iraque, especialmente pela atuação da França e da Alemanha, por entender que o país não representava nenhum tipo de ameaça aos seus vizinhos, os governos anglo-americanos de George W.Bush e Tony Blair resolveram mesmo assim ir em frente. Concentrando 242 mil soldados no Kuwait, aviões, grandes navios, inclusive cinco porta-aviões, cercando o debilitado Iraque por todos os lados, a ofensiva anglo-americana, iniciada em 19 de março de 2003, não teve dificuldades em, movendo-se diretamente para Bagdá, liquidar com a resistência iraquiana ao completar 25 dias de combates.

A desproporção de forças foi incomensurável. De um lado estavam duas das maiores potências militares do mundo, donas de um arsenal convencional e nuclear capaz de arrasar com a vida no planeta, do outro um empobrecido e debilitado país do Terceiro Mundo sem as mínimas condições de opor uma resistência efetiva. Despejando sobre Bagdá e outras cidades mais de 20 mil bombas e mísseis, o ataque da coligação anglo-americana literalmente pulverizou o regime de Saddam Hussein, deixando que suas cidades fossem submetidas ao saque e a pilhagem por multidões famintas e humilhadas.

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