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Maioria silenciosa e moral

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A Maioria Moral nada mais é senão que a revivência da Silent Majority, a maioria silenciosa dos anos 70, invocada pelo presidente Richard Nixon, como sendo a mais representativa do sentimento geral dos norte-americanos, formada pela massa de gente patriótica que era favorável à Guerra do Vietnã nos anos 60 e 70, mas que não externava em público a sua posição. Terminada a intervenção no Sudeste Asiático, os novos inimigos dela passaram a ser os costumes dissolutos que tiveram publicidade desde Woodstock, cada vez mais legitimados pela Suprema Corte de Justiça de Washington . Assim, o seu foco voltou-se contra os defensores do aborto, contra os direitos dos homossexuais, contra o ensino de sexo nas escolas, contra a pornografia e contra a Equal Rights Amendment, a Emenda dos Direitos Iguais, ainda não sancionada, que equipara as mulheres aos homens.

Os seguidores do reverendo Jerry Falwell empenham-se ainda em fazer com que as preces voltem a ser praticadas nas escolas públicas, pretendendo igualmente engajar-se na “defesa do sistema de livre empreendimento, e da moralidade familiar e bíblica”. Para melhor engajar-se na política anticomunista do presidente Reagan na América Central, Jerry Falwell criou, em 1985, a Liberty Federation para evitar “uma ascensão do comunismo” daquela região. No fronte interno, seu outro inimigo, além das feministas, é a ACLU (American Civil Liberty Union), instituição ultra-liberal que dedica-se a ampliação cada vez maior das liberdades civis.

Apoio a Israel e a punição de Deus

O culto enfrenta o show, o pastor desafia o roqueiro
Em 1982, Ron Godwin, representante da Maioria Moral, aproximou-se do general Sharon, na época ocupando o Líbano, para devotar total apoio ao Estado de Israel. Queriam-no sempre em guerra, não porque esperavam a sua vitória, mas exatamente pelo contrário. Seguindo em batalhas sem-fim, os judeus se aproximariam ainda mais do Armagedon, ocasião fatídica na qual 2/3 deles terão morrido, enquanto que os sobrevivente, o 1/3 restante, entendendo estarem em erro frente a Jesus, se converteriam ao cristianismo. Logo, “atacar Israel é ir contra Deus”, pois a expulsão deles da Terra Santa impediria que eles , saindo do pecado em que se encontram, encontrassem abrigo embaixo do manto de Cristo. Como tantos outros fanáticos, Jerry Falwell percebeu os atentados de 11 de setembro como uma punição à América, um castigo pelos desregramentos em que ela se entregara conduzida por liberais, gays & lésbicas.

A difusão da secularização, o abandono da boa e verdadeira fé, o descaso para com o comportamento correto, fez com que Deus, lá do alto, enviasse os suicidas de turbante para punir - atacando aquela Sodoma que a Nova Iorque - o país. Contraditoriamente, Falwell viu no desabar das Torres Gêmeas uma oportunidade, um sinal para iniciar uma guerra santa contra o mundo muçulmano - substituto do comunismo -, visto que para ele Maomé fora “o primeiro terrorista”. O resultado disso tudo desabou sobre Bagdá.

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