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Paganismo e imperialismo

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» O papado e o império
» Paganismo e imperialismo
 
Santo Agostinho, de certo modo, atribuiu aquela mentalidade belicosa e expansionista deles ao paganismo, à crescente chegada de “divindades exóticas” vindas dos quatro cantos do mundo, exigindo cada uma delas templos, louvores, mirra e incenso. Era uma interminável multidão de deuses de todo o gênero, “naturais, adventícios, celestes, terrestres, infernais, marinhos, fontais e fluviais”, que teoricamente, dado sua abundância, comentou ele ironicamente, deveria ser mais do que suficiente para proteger a cidade para sempre. No entanto, não era isso o que se dava.

Seja como for, ele viu na avidez imperialista a grande desgraça dos romanos, pois arrastou-os para campanhas de conquista que somente poderiam ser sustentadas pelo apelo constante ao rufar dos tambores de guerra. Não tardou para que a lógica dos acampamentos predominasse sobre as instituições, condicionando o Senado e a Cadeira Curul a obedeceram a mesma ordem unida dos centuriões e dos pretorianos. Afinal, fizeram do imperium - palavra de origem militar que definia o poder absoluto que o legado ou o cônsul tinha sobre seus subordinados - , a norma comum de Roma. Em seguida, com os generais se apropriando do manto vermelho de Augusto, tornaram Marte, a divindade guerreira, a única razão do existir do Império. Não havia nada de mais anticristão do que aquilo.

A crítica do papa João Paulo II

O papa João Paulo II e o presidente G.W. Bush
É de supor-se que seja exatamente essa postura agostiniana antiimperialista, planando pelos tempos a fora, que esteja, nos dramáticos dias que correm, inspirando e empenhando o papa João Paulo II na sua luta em favor da paz, opondo-se a guerra de agressão que os Estados Unidos e a Grã-Bretanha, o império dos primos, movem contra o Iraque. Trata-se da mesma percepção de que a república americana agora transita para a posição de império universal, como outrora aconteceu com Roma quando ela converteu boa parte do mundo de então numa arena de combates sangrentos, infinitos. Captou em Bush e em Blair, o idêntico apetite por mando que os leva, como os césares fizeram outrora, a querem açoitar a humanidade. A escutar deles as mesmas justificativas que lembram muito o gosto que os romanos tinham em, violando o direito, dourar as velhacarias que praticavam ocultando-as atrás de uma retórica salvacionista e patriótica. É exatamente isso que faz com que o papa João Paulo II tema por todas as nações.

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