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A América, a bíblia e a guerra
Os Estados Unidos, na administração George Bush, estão sendo liderados talvez por um dos grupos políticos ideologicamente dos mais arcaicos. Apesar do estado ter sido proclamado secular, isto é , sem uma inclinação religiosa determinada, todos dias ocorrem na Casa Branca uma leitura coletiva da Bíblia. É comum, antes das reuniões entre o presidente e seus secretários mais chegados, que se façam preces a Deus para que os inspire. O Governo Bush pensa ser um tabernáculo de iluminados que acreditam, especialmente depois dos sinais recebidos (os atentados de 11 de setembro e a queda do Columbus, o ônibus espacial), que o Todo-Poderoso os escolheu para grandes tarefas, entre elas, além de levar a destruição dos “malvados” espalhados pela Terra, a missão de reformar o mundo inteiro a imagem e gosto dos Estados Unidos, mesmo que tenha que ir a guerra para isso.
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O Presidente G.W.Bush
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Não causou nenhuma surpresa a Todd Gitlen - um sociólogo da comunicação de Nova Iorque, apontado como o mais promissor sucessor de MacLluhan -, a enxurrada de ofensas lançadas pela imprensa norte-americana contra a França e os franceses. As posições do presidente Jacques Chirac, especialmente a do seu representante no Conselho de Segurança da ONU, Dominique de Villepan, um aristocrata que é o ministro das relações exteriores, levaram os conservadores americanos, sedentos de sangue árabe, a destravarem a sua fúria e indignação. O The Sun, da Inglaterra, um tablóide popular, politicamente reacionário, chegou a caricaturar Chirac como se ele fora um verme. Não só isso. Traduziram a infamante edição e distribuíram-na gratuitamente por toda a Paris. Entre as classes populares anglo-saxãs, lembrou Todd Gitlin, a França sempre foi um alvo tradicional, visto que “os franceses personificam o esnobismo”. O fato de Lafayette ter embarcado no “Vitória” , em 1776, com quinze amigos para vir lutar ao lado dos colonos americanos, ajudando-os a alcançarem a independência, ou de que os franceses do Iluminismo terem inspirado a maioria dos constituintes e legisladores norte-americanos daquela época para criarem no Novo Mundo um regime de liberdades, tolerante, secular e democrático, foi esquecido. Thomas Friedman, o articulista-mor do NY Times (na época dos “bombardeiro humanitários” sobre a Sérvia, ele reclamava que incluíssem nos alvos a juventude de Belgrado), agora diz que a França, desde 1870, “especializou-se em bater retiradas”.
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