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EUA, GB e Austrália, o Império dos primos

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Com o anúncio de que o governo da Austrália está enviando, em janeiro de 2003, suas tropas para o Oriente Médio, somando-se as dos americanos e britânicos que já contam com 130 mil soldados por lá acampados, configura-se o desenho da estruturação de um novo império mundial formado pela raça anglo-saxã. Uma confederação de primos, cujo poder está distribuído pelos continentes americano, europeu e asiático, liderado pelos ianques, seguidos pelos ingleses e pelos australianos. Desta maneira, a águia , o leão e o canguru, aliados, formam o primeiro Império Universal que o mundo conhece..

Patton estava certo

A águia, o leão e o canguru, primos imperiais

“nenhuma nação ocidental lutou como os povos de língua inglesa com a certeza de que seu destino era o do Reino de Deus.”
Kevin Phillips – The Cousins’War, 1999-09-26

Uns tempos antes da invasão anglo-americana da Normandia em 1944, o serviço de relações públicas do exército norte-americano solicitou ao general G. S. Patton - um extraordinário comandante de tanques, um caubói que usava no cinturão dois colts com cabo de madrepérola -, que comparecesse a um ato cívico organizado por umas senhoras inglesas. Patton, um boquirroto, não resistindo a oportunidade, dirigiu-lhes algumas palavras. Encantou as damas, mas pôs em polvorosa os aliados soviéticos. Dissera a elas, sem rodeios, que o destino futuro do após-guerra seria dominado inteiramente pela raça anglo-saxã. Os americanos e seus aliados ingleses, e não os alemães, eram os verdadeiros arianos destinados a mandar no Mundo. Repreenderam severamente o general pela gafe mas ele acertou.

O mundo de hoje é propriedade do que Kevin Phillips, um original historiador norte-americano, chamou de o English-speak Imperium, o império dos anglo-falantes, ou também de “ o Império dos Primos”. Nos últimos três séculos , ora um ora outro, outras vezes juntos, americanos e ingleses enfrentaram e venceram os espanhóis, os franceses, os alemães e, finalmente, os russos. Quem os desafiou perdeu. A origem histórica mais próxima deste conluio de primos deu-se com a Carta do Atlântico de 14 de agosto 1941, quando o Presidente Roosevelt e o primeiro-ministro Churchill, entre outras coisas, pactuaram agir em nome do common aims, de seus objetivos comuns. Desde então a política externa, e mesmo a interna, dos dois países praticamente marchou junta.

Quando na Grã-Bretanha, logo depois da guerra, elegia-se o trabalhista Clement Attle, os americanos confirmavam o democrata Harry Truman. No momento em que os ingleses voltaram-se para o conservador Churchill, a América o votou no candidato republicano, o General Eisenhower. Logo que os ingleses sufragaram a conservadoríssima senhora Tatcher, os americanos os acompanharam-na elegendo Ronald Reagan. E quando eles, os primos, na década de 1990, cansaram-se dos seus respectivos governos conservadores, celebraram o democrata Clinton e neotrabalhista Tony Blair. Evitaram sempre confrontar-se. Neste tempo todo, segundo se sabe, só um desentendimento sério ocorreu entre americanos e britânicos. Foi quando a Grã-Bretanha em novembro de 1956, tentando reviver seus rituais colonialistas, decidiu reverter a nacionalização egípcia do Canal de Suez comandada por Gamal Nasser. Incidente que foi resolvido com um simples telefonema do Presidente Eisenhower ao seu colega inglês, o primeiro-ministro Anthony Eden , forçando-o à retirar-se da Zona do Canal de Suez (incidente esse que marcou a definitiva subordinação dos destinos do decadente Império Britânico aos interesses gerais dos Estados Unidos).

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