Do imperialismo ao império - EUA, posição privilegiada
Se bem que os Estados Unidos ocupam um lugar extremamente privilegiado neste novo arranjo mundial que se sucedeu à Guerra Fria, eles estão longe de capitanear um novo projeto imperialista. Entre outras razões porque o poder norte-americano, ao contrário do clássico poder imperial, marcado pelo centralismo e pelo verticalismo, se dá em forma de redes. E tal formato origina-se desde o século XVIII, dos tempos de Thomas Jefferson que muito insistiu em que a distribuição da autoridade e da representação popular fosse espalhada o máximo possível pelo território americano recém emancipado em 1776. Este novo império tem ambições trans-históricas pretendendo-se "um regime sem fronteiras temporais", identificado pelo moto continuo, sempre em expansão, tendo como objetivo a vida social como um todo, tanto social como política, abraçando o planeta por inteiro.
O papel da multidão
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Manifestação antiglobalização em Gênova, Itália, 2001
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Longe de ser impeditiva aos movimentos de contestação, a nova situação amplia-se-lhes as oportunidades, outras forças de libertação podem vir à manifestar-se. Espaços diversos, variados, bem mais amplos, desconhecidos nas situações imperiais anteriores, são abertos à atuação da multidão. O Império engendra por si só ou estimula, ainda que inconscientemente, a que os grandes movimentos de massa procurem constituir um Contra-Império, inventando novas formas de democracia e outros poderes que lhes permitam transcender o atual Império. Nota-se aqui que os autores, ainda fiéis ao mito marxista da transformação vinda de baixo, substituem o papel histórico antes reservado ao “ proletariado” pela atuação de algo mais impalpável como a “multidão”. Seja como for, uma “ nova cartografia” do protesto se desenha, indicando que ela também encontra-se desterritorializada, podendo os protestos e as contestações, pacíficas ou não, ocorrerem em Seatle, em Praga, em Ottawa, em Quebec, em Gênova, ou em qualquer outros lugar do circuito universal abrigado pelo Império.
Quadro comparativo
| Características | Imperialismo | Império |
| Tempos histórico | Domínio dos velhos impérios coloniais europeus (1450-1950) | Situação privilegiada dos Estados Unidos (pós-1989) |
| Base geográfica | O estado-nacional, sede da metrópole, com território e fronteiras definidas | Declínio dos estados-nacionais, substituídos por instituições supranacionais desterritorializadas |
| Soberania | Soberania total e absoluta do estado-nacional | Soberania compartilhada entre os estados-nacionais que o compõem |
| Centro geográfico | O continente europeu | Difuso, espalhado por vários continentes (América, Europa e Ásia) |
| Governo | Administração e controle centralizado, baseado na relação metrópole-colônia | Administração feita através de redes transfronteiriças |
O site recomenda a leitura de:
Michael Hardt e Antonio Negri – Império (Record, RJ-SP, 2001)