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Le Pen, o último chouan - A ação francesa

Charles Maurras e Jacques Bainville, corifeus da Ação Francesa
A nova direita, recolhendo as antigas ruínas dos tempos da Vendéia, articuladas pelo escritor Charles Maurras, pelo historiador Jacques Bainville e pelo romancista Léon Daudet, sentindo-se amparada pela histeria nacionalista e xenófoba que o caso despertara, reorganizou-se então num movimento ; o Action Française, a Ação Francesa, fundada por Henri Vaugeois e Maurice Pujo, em 1899. Ultra-nacionalista e anti-semita, ela não demorou em identificar-se, nos anos vinte e trinta, com Mussolini, ditador fascista da Itália, e, em seguida, com o General Franco da Espanha. Em 1934, seguindo os acontecimentos da Alemanha e da Áustria, seus militantes mais jovens, agrupados na agremiação Camelots du roi, uma tropa de choque direitista, participaram de uma enorme manifestação-levante, na tentativa de fazer com que a França se aproximasse de Hitler e de Mussolini. Igualmente foi ela, a direita, a principal responsável pela paralisia e inapetência que se abateu sobre a França na época da ocupação nazista, contribuindo para que se criasse um clima entre funcionários, policiais e até de artistas de renomeada fama, em favor da colaboração com o invasor de 1940, a titulo de militarem na Revolução Nacional Conservadora.

Premissas da Ação Francesa
1 – O indivíduo humano é um produto social
2 – A nacionalidade é a forma social mais completa, sólida e entendida, depois da dissolução da unidade cristã ela é a condição absoluta de toda a humanidade.
3 – Entres ao franceses, alienados e explorados, as questões políticas devem ser coordenadas e resolvidas em estreita relação com o interesse nacional
4 – As três proposições precedentes devem ser a base de um ensino e propaganda feita sem esmorecimento de parte daqueles que são conscientes.

O regime de Vichy

O Marechal Pétain e o ministro Pierre Laval, chefes colaboracionaistas
Foram eles que, aproveitando-se do prestigio do Marechal Petáin (que passou a assinar os decretos do regime colaboracionista de Vichy com o monárquico “Nous, Philippe Pétain, Maréchal de France ), gente como Pierre Lavale , Phillipe Henriot e M. Hennequin, o prefeito da polícia de Paris, resolveram fazer o trabalho sujo a favor dos nazistas ( denúncias e perseguições à resistência francesa, deportação de 76 mil judeus, etc..).
Desmoralizados com a libertação de Paris, em agosto de 1944, seguida da derrota do Eixo, os direitistas que escaparam dos tribunais do após-guerra, logo vestiram a farda da necessidade da manutenção do Império Francês. Apesar de corroído por todos os lados, do Sudeste Asiático ao Magreb argelino, eles , sempre testas-duras, insistiram em usar o exército francês contra a maré da história, manchando o nome das forças armadas em cruéis operações de captura, destruição e tortura, contra vietnamitas e argelinos, como alias confessaram com orgulho os generais Massu e Aussaresses.

Le Pen e a sociedade neolítica

Le Pen em campanha na sua Bretanha natal
Batidos pela segunda vez pelo General De Gaulle ( a primeira vez, evidentemente, foi quando ele voltou a França com as tropas aliadas em 1944), que, em 1962, cedeu a independência da Argélia, os ultra-direitistas só voltaram à cena francesa em 1972, quando Jean-Marie Le Pen, um ex-combatente das guerras coloniais da Indochina e da Argélia, fundou o Front National. A tônica, desde então, passou a ser expulsar os imigrantes do terceiro-mundo que vieram para o solo francês, tapando o vazio demográfico ocasionado por duas guerras em vinte anos, atrás de uma esperança, e romper com a Unidade Européia. Não é por nada que Le Pen é bretão, nascido em Trinité-sur–Mer, no Morbihan, no ano de 1928, um pequeno porto cercado ao fundo por imensos sítios megalíticos, onde repousam, como se fossem paquidermes de rocha polida, inúmeros dolmens e meníres. Para ele, este derradeiro chouan, que passou a infância em meio aquela pedraria da época dos druidas, a sociedade neolítica ainda não terminou.

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