Sharon, o homem-guerra - O relatório Kahan
Apesar do primeiro-ministro Menachen Begin garantir que o dera-se em Sabra e Chatila nada mais era do que “ Gentios matando gentios”, o Relatório Kahan, nome do juiz-presidente do Suprema Corte de Justiça de Israel, foi categórico em apontar Ariel Sharon como o responsável indireto pelo massacre, ainda que por omissão. A posição do Ministro da Defesa ficou insustentável. Em fevereiro de 1983, sob opróbrio da opinião pública israelense que saíra às ruas para protestar, impulsionada pelo movimento Paz Agora, Ariel Sharon foi obrigado a renunciar do alto posto que ocupava no gabinete Begin. Consideram-no um homem incompatível com as altas exigência morais e éticas que haviam fundado o Estado de Israel em 1948. Para trás ele deixara no Líbano, além da destruição parcial de Beirute ( 500 grandes edifícios em ruínas), os cadáveres de 18 mil palestinos e libaneses que morreram durante a invasão de 1982, e o ódio unânime de milhões de árabes. Enquanto isso acontecia, os estrategistas do Departamento de Estado norte-americano, particularmente o General Alexander Haia, ficavam furiosos com as tropelias provocadas por Sharon, decorrentes da invasão do Líbano e o do feroz bombardeio de saturação sobre Beirute (127 raids em 10 horas!), alegando que tudo aquilo provocara o desprestígio dos Estados Unidos frente aos governos árabes moderados. Como se vê, pelo menos na expressão dos argumentos, a história se repete. Notas: os autores citados são Howard M.Sachar – A history os Israel from the rise os zionism to our time (Alfred Knopf N.Y., 1996) e Karen Armstrong – Jerusalém, uma cidade três religiões (Cia. das Letras, SP, 2000)
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