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Estados Unidos: Muçulmanos e Americanos

Americanos numa carga contra os filipinos
A população norte-americana foi tomada da mais completa surpresa pela violência dos atentados de 11 de setembro de 2001, quando não só as Torres Gêmeas do World Trade Center , em Nova Iorque, foram atingida como o prédio do Pentágono em Washington foi atacado, desastres todos cometidos por vôos suicidas de jovens árabes muçulmanos em missão de vingança. O espanto todo deveu-se em grande parte a que a população não sabe ou não é suficientemente instruída de que os Estados Unidos movem há muito tempo, em várias partes do mundo, uma guerra esporádica contra os islâmicos. Uma guerra que , com suas idas e vindas, já completou um século.

Os mouros das Filipinas

Filipinos mortos
Certamente que se não fosse o desembarque espanhol na Baia de Manila em 1521 e a subsequente ocupação do enorme arquipélago das Filipinas (nome dado em homenagem ao rei Felipe da Espanha), as 7.100 ilhas que o compõe teriam se convertido à fé maometana. Desde o século 13 a religião de Alá viera se espalhando pelo sudeste do Pacífico e já havia conquistado a península da Malásia e as ilhas da Indonésia inteiras quando foi bloqueada pelos padres espanhóis. Desde que foram violentamente reprimidos pelos conquistadores cristãos numa rebelião em 1576, os muçulmanos tiveram que contentar-se em ficar com as Ilhas de Mindanao e Sulo, integrantes da parte meridional do arquipélago filipino. Desde então as Filipinas converteram-se em mais uma das tantas fronteiras entre o Crescente e a Cruz, separadas por um profundo ódio teológico.

Quando Manila veio a cair nas mãos dos norte-americanos na época da Guerra Hispano-americana de 1898, os novos senhores das ilhas herdaram os desentendimentos com os muçulmanos estabelecidos no sul. Viviam eles numa área que os americanos batizaram de " Moroland", que nada mais era do que uma confederação dos sultanatos islâmicos de Sulu, Maguindanao, Buayan e Maranao. Enquanto os espanhóis tiveram uma atitude complacente para quem eles chamavam de " moros", lembrança da luta deles contra a presença árabe na Península Ibérica, os americanos seguiram outra linha de ação.

"Porque vocês vieram até aqui? Por terra? Vocês têm de tudo em casa. Por dinheiro? Vocês são ricos, enquanto eu sou pobre. Porque vocês estão aqui?"

O sultão muçulmano de Sulu, nas Filipinas, inquirindo o general americano Woods, 1902

Origens da primeira guerra contra os mouros

O arquipélago das Filipinas
Depois de trem sufocado a ferro e fogo o levante nacionalista de Aguinaldo (1899-1901), que pegara em armas para fazer as Filipinas um país independente, o governador geral ocupante fixou um tributo a ser cobrado em todas as ilhas. Se bem que o Presidente McKinley dissera - para acalmar o forte movimento antiimperialista que saíra em altos brados pelas ruas de Boston, de Chicago e de Nova Iorque -, que o seu governo não ambicionava fazer das Filipinas nenhuma colônia de exploração, mas sim convertê-la num experimento da civilização americana, acreditou ser justo que cobrassem algum coisa daqueles selvagens pelo serviço a ser feito. Segundo suas próprias palavras, a BENEVOLENT ASSIMILATION, a política da assimilação benevolente, entendia que:

"The Philippines are not ours to exploit, but to develop, civilize, educate and train for self-government (As Filipinas são nossas não para explorar mas para desenvolver, civilizar, e ser educada no treino do autogoverno.")

William McKinley

Foi isso, a exigência de uma política geral de impostos, que desencadeou a primeira guerra dos americanos contra os muçulmanos. O sultão de Sulu, uma das ilhotas próximas a Mindanao, um pequeno rei de pobres, jurara que um dos agentes americanos, além de prometer seguir a prática dos espanhóis de os deixando em paz, havia isentado o seu povo de qualquer taxa ou exação. Peremptoriamente negou-se a passar qualquer coisa para os novos senhores, fosse em sonante ou em espécie. Além disso, os americanos que perambulavam pelas aldeias dos moros, muitas vezes montando os seus bivaques próximos a elas, começaram a ser abertamente hostilizados. Enfureciam-se, os fuzileiros, durante a instância deles naqueles selvas, particularmente, com o ataque inesperado dos amuks, homens suicidas armados com a kris, uma pequena adaga malaia de fio duplo que carregavam embaixo da camisa e que provocava dolorosos e mortais ferimentos nos soldados. Ou ainda os atentados movidos pelos juramentados, aqueles muçulmanos, considerados mártires, que premeditavam as ações antiamericanas com arma branca. Este, por considerarem a presença dos americanos nas ilhas algo herético, não demoraram em declarar-lhes a Jihad, a guerra santa contra o invasor.

Guerra sem quartel e sem perdão

General John Pershing
Grupos de guerrilheiros logo surgiram. A situação ficou tão incontrolável que os americanos partiram para operações de extermínio. Entrementes o professor Richard E. Welch, do Colégio Lafayette escrevia que as táticas da guerrilha resultavam de um mente inferior, um recurso de um raça pobre. O general Arthur MacArthur, por sua vez, assegurou que devido a guerrilha se contrária aos costumes usuais da guerra os que fossem capturados não tinham nenhum dos privilégios dos prisioneiros de guerra. Nada de estranhar-se pois que a ordem dada pelo general Jake Smith aos seus fuzileiros foi a telegráfica Kill and burn, matem e queimem! Ordenando ainda que Kill every one over ten"( que matassem todos acima dos dez anos de idade). As tropas não se fizeram de rogadas. O cenário paradisíaco daquelas ilhas não demorou por encher-se com a fumaça dos canhões, do vapor das canhoneiras e das choças em chamas e o sangue daqueles pobres diabos. Os moros, ingênuos, inutilmente escondiam-se atrás das cottas, barreiras de bambus com que rodeavam suas aldeias. Na ilha de Jolo, por não querem render-se, eles refugiaram-se no alto da cratera de um vulcão extinto, o Bud Dajo. Os americanos, em março de 1906, articulados com tiros do navio Pampanga, os cercaram e mataram todos eles a rajadas de metralhadora Maxim e com uma carga de baioneta. Dos mil, homens mulheres e crianças, sobreviveram 6. Tragédia que repetiu-se no Bud Bagsak em junho de 1913, quando mais de 500 moros foram liquidados. Faz um século disso. E depois, os americanos dizem não saber porque os muçulmano os odeiam.

    



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