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A Ópera e o Teatro Grego

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   Teatro San Carlo em Nápoles
Deste modo, graças a ele e a agitação do risorgimento, as casas de espetáculo da Itália inteira ativaram-se como que substitutas das assembléias populares, nas quais a burguesia e povo, os camarotes, o mezanino e a platéia, em uníssono, confraternizavam-se no repúdio ao cativeiro. Os grandes espetáculos musicais de efeito mágico que ele orquestrou, reproduziam, de certa forma, o clima do antigo teatro grego, o da tragédia ática, que, como se sabe, também serviu como um recurso para que a comunidade dos cidadãos discutisse o seu futuro (A força do destino,1862). Ele foi o principal responsável - na esfera operística - por criar um clima propício à difusão dos ideais de uma Itália unificada, ganhando dessa maneira o coração do povo. Despertou por todo o país, explorando o conflito entre a afetividade extremada e a harmonia e o autodomínio, recorrendo à rudeza e à "vulgaridade e insensatez", o sentimento de italianità, de italianidade, necessário a que cada paisano superasse o sentimento paroquial em favor do nacional.

Va pensiero, Hino da Unificação

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   Giuseppina Strepponi,    soprano e esposa de Verdi
Depois de alguns fracassos iniciais como compositor, acompanhadas de situações de aviltada pobreza (em dois meses perdeu a mulher e dois filhos pequenos) , a partir de 1839, o jovem ex-organista e maestro di cappella da aldeia de Roncoli di Busseto, conseguiu afirmar-se como regente no famoso Teatro La Scala de Milão onde pulsava um intenso sentimento pró-independência. A Lombardia, província italiana do império austro-húngaro, aspirava à liberdade. Eis que o sinal da futura insurreição dos italianos foi dado por umas poucas estrofes inspiradas no Velho Testamento, a que narra os sofrimentos do povo judeu durante o cativeiro da Babilônia (um curto, sentimental e poético trecho que o povo consagrou como Va , pensiero!) Verdi disse, bem depois do sucesso alcançado, que fôra por puro acaso que vira aqueles versos. Ao ter deixado cair o libreto Nabuchodonosor de Solera, seu autor, sobre uma mesa, ele abrira-se justamente na passagem do Coro dos Hebreus, cujo saudoso e belo lamento tocou tão fundo os italianos (e por todos aqueles que, pelo mundo a fora, sentiam sua pátria espezinhada) .

A "Marselhesa" dos Italianos

Houve desde o princípio uma imediata associação entre as desgraças dos judeus no Eufrates ( escravizados pelo rei Nabucodonossor da Babilônia) , com os que a maioria dos italianos sofria naquele momento. No dia da estréia da ópera Nabucco, o 9 de março de 1842, mal o coro ter encerrado o último verso (IIIª Parte, cena IV), no qual os prisioneiros pediam inspiração para resistir com coragem as aflições, a Itália sentiu que ali nascia uma versão muito própria, totalmente sua, da "Marselhesa" . Desde então Va, pensiero,... consagrou-se como o hino da unificação italiana,
C.Masson

   Cena revolucionária (ópera Força do    Destino)
enquanto o nome de Verdi circulou entre os patriotas como um anagrama (Vittorio Emmanuel Rè d'Italia). A meta unitária afinal somente atingiu êxito dezenove anos depois, em 1861, quando o rei Vitório Emanuel II do Piemonte foi proclamado rei da Itália (Roma somente integrou-se a ele em 1871, depois da retirada das tropas francesas que protegiam o papa).

Letra do Va, pensiero...

Ópera "Nabuco" (1842)
PARTE TERZA (Cena IV)
Le sponde dell'Eufrate (Na margem do Eufrates)
Ebrei incatenati e costretti al lavoro. (Hebreus agrilhoados constrangidos ao trabalho)

EBREI:
Va', pensiero, sull'ale dorate;
va', ti posa sui clivi, sui colli,
ove olezzano tepide e molli
l'aure dolci del suolo natal!
Del Giordano le rive saluta,
di Sïonne le torri atterrate...
Oh mia patria sì bella e perduta!
Oh membranza sì cara e fatal!
Arpa d'or dei fatidici vati,
perché muta dal salice pendi?
Le memorie nel petto raccendi,
ci favella del tempo che fu!
O simìle di Sòlima ai fati
traggi un suono di crudo lamento,
o t'ispiri il Signore un concento
che ne infonda al patire virtù!
  Hebreus:
(Vai, pensamento, em asas douradas,
vai, pousa sobre as colinas e montes
onde sopram as doces brisas,
a quente e leve fragrância da nossa terra tal
Do Jordão, das saúdas margens
e das desoladas torres de Sião
Oh pátria minha tão bela e perdida
Oh lembrança tão querida e fatal
Harpas de ouro dos fatídicos lamentos
porque pendem mudas nos salgueiros?
A memória no peito revive
a qual fala de um tempo que se foi
Cada um como Sodoma nos fados
lança um som de profundo lamento,
que o Senhor te inspire uma canção
que insufle coragem no padecer)

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   Verdi em 1893, um mito    mundial

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