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Os Três Giuseppi

Ocorreu que o tão esperado e valoroso príncipe, o restaurador da integridade italiana perdida (descartando-se a inadequada e anti-heróica figura do conde de Cavour), não tomou corpo num homem só. Em termos simbólicos pode-se dizer que o messias da Italia contemporânea assumiu, isso sim, a forma de três Giuseppi (Josés): Giuseppe Mazzini(1805-1872); Giuseppe Garibaldi(1807-1882); e Giuseppe Verdi(1813- 1901). Um pelas idéias, outro pelas armas e último por meio da música, dotaram o povo peninsular da teoria, da espada e do hino, para que nas esteiras do risorgimento visse concluído o sonho da unificação nacional. Foi a ação deles, em campos distintos mas complementares, quem inspirou os italianos a recomporem-se, depois de quatorze séculos de divisionismo, num só corpo político.

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   Mazzini, Garibaldi e Verdi

O Risorgimento(*)

A idéia de que a Itália deveria de algum modo livrar-se do destino cativo que a infelicitava desde a época de Maquiavel, começou a tomar vulto nos finais do século XVIII e princípios do século XIX. Os ideais da Revolução Francesa de 1789 - com sua proposta de um estado-nação oposta ao reino dos príncipes -, chegaram à Itália junto com os bivaques do exército do general Napoleão Bonaparte, que ocupou o norte do país em 1796-7. Mesmo com a derrota posterior do império francês em 1815, a semente da independência dos italianos havia sido lançada. A guerra desencadeada pelas choupanas contra os palácios (como metaforicamente designou-se a luta do liberalismo moderno, nacional e democrático contra o conservadorismo absolutista), mesmo com a frustração gerada pela expectativas maiores da Revolução Francesa, estava longe de se encerrar. O risorgimento foi o resultado disso.

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   Garibaldi partindo para a aventura da    unificação
Se o primeiro renascimento, o dos séculos XV-XVI, emancipara o homem italiano da estética medieval, desembaraçando-os da arte dos godos, o segundo renascimento (denominado risorgimento) foi um movimento político que ambicionava livrá-lo do domínio estrangeiro (dos Habsburgos da Áustria e dos Bourbons da Espanha). Se os tutores do primeiro renascimento foram artistas como Leonardo da Vinci, Miguel Ângelo e Rafael Sanzzio, os do segundo renascimento foram homens como Mazzini, Garibaldi e Verdi.

(*) A popularização da palavra Risorgimento decorreu da fundação do jornal "Il Risorgimento" fundado em Turim em 1847, tendo com um dos seus redatores-chefe o conde de Cavour.

A Itália Cindida

A terra de Dante, ainda no século XIX, estava cindida não só em dois grandes campos histórico e culturais distintos (o norte urbano-industrial, "europeizado" e liberal-progressista, oposto ao sul agrário, camponês, bizantino-árabe, tradicionalista), como em torno de qual estratégia política deveria ser adotada para alcançar a unificação. Para o conde de Cavour, o primeiro ministro do Reino do Piemonte (1852-1860), e mola propulsora da unificação, a integração nacional dependia de uma complicada operação de engenharia diplomática-militar, na qual mesclavam-se medidas visando obter apoio internacional para a unificação, com operações militares de vulto (participação do Piemonte na Guerra da Criméia ao lado das potências ocidentais em 1855, seguida da guerra contra o Império Austro-húngaro em 1859-60).

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   Camilo Benso, o    conde de Cavour
O universo de Cavour era o das embaixadas e gabinetes palacianos, em conluios secretos com generais, bispos e outros chefes de Estado, tendo ao seu lado a burguesia não muito numerosa nem muito empenhada da Itália de então. Como regime ideal a ser adotado no futuro Reino da Itália, o ardiloso ministro piemontês projetava aquele já existente no seu próprio reino (uma estável monarquia amparada num parlamento e no rei Vitório Emanuel II).

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