Verdi e a Unidade Italiana
Num pesado dia do inverno de Milão, o 27 de janeiro de 1901, uma multidão saiu às ruas para prestar uma da mais belas e espontâneas homenagens ao maior compositor italiano de todos os tempos. Giuseppe Verdi morrera aos 87 anos. Com lágrimas nos olhos, naquela data infeliz, milhares de pessoas sentindo-se na orfandade, vendo o féretro desfilar, cantaram em coro uma das suas mais celebradas passagens:
Va, pensiero. Com ele sepultou-se também uma das mais comoventes e heróicas páginas da história da Itália moderna.
A Itália Sofrida
"E chegará um dia em que já não se falará de melodia, de harmonia, de escola italiana ou alemã, do futuro ou passado, etc. Então, talvez, poderá estabelecer-se o reino da música."
Verdi a Arrivabene
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Maquiavel desejou uma Itália unida
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Maquiavel no encerrar do
Il principe (O Príncipe, cap.XXVI, 1521), livro que o perpetuou, exortou para que surgisse na Itália do seu tempo - invadida por forças estrangeiras e dilacerada por brigas internas entre as cidades rivais - , um príncipe forte, um bravo, "um redentor", que além de afastar "os bárbaros" restituísse-lhe a integridade perdida desde os tempos dos romanos. Ninguém atendeu ao seu apelo. Ainda na metade do século XIX, mais de três séculos depois da morte dele, a ditosa pátria de Dante e Petrarca encontrava-se praticamente na mesma situação, a de ser "uma expressão geográfica" dominada por um império estrangeiro (o dos Habsburgos austríacos, que controlavam parte das províncias do norte), por uma dinastia estrangeira (a dos Bourbons espanhóis, que reinavam sobre as do sul), e pelo papado (chefe de uma instituição universal, a Igreja Católica, que mantinha a
podestá, o domínio, sobre as províncias centrais, os ditos Estados Pontifícios)
Um Patriotismo Tribal
Além disso, na intricada geografia político-cultural itálica predominava o paroquialismo, o campanilismo, a crença arraigada da população de que o seu paese, o verdadeiro país, era o lugarejo onde nasciam, no qual batizavam seus filhos, o do dialeto que falavam, e de onde tiravam o sustento, sendo-lhes indiferente o destino dos vizinhos, facilitando com isso a continuidade da hegemonia estrangeira. Postura que levou o historiador napolitano Luigi Blanch a dizer que o patriotismo dos italianos lembrava o dos gregos antigos, parecendo-se a um "patriotismo tribal" do que algo próximo à moderna devoção à patria. Somente nos seus poros, aqui e ali, como no reino do Piemonte, fronteiro à França, onde o conde de Cavour suspirava por uma Itália liberta, havia o desejo de alinhar o país aos demais Estados europeus, unificados há muito tempo atrás.
Divisão Política da Itália pré-1861
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Estado
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Capital
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Situação política
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Reino do Piemonte
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Turim
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Reino do Piemonte (Victor Emanuel I, conde de Cavour como 1º ministro)
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Lombardia
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Milão
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Província do império Austro-húngaro (Dinastia Habsburgo)
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República de Veneza
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Veneza
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Governo dos Doges, tutelada pelo Império Austro-húngaro
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Reino das Duas Sicílias
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Nápoles
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Reino dos Bourbons (ramo espanhol)
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Estados Pontifícios
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Roma
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Governo do Papado
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Grão-ducado da Toscana
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Florença
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Grão-duque d'Áustria
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Ducado de Parma
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Parma
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Duque de Parma
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Ducado de Módena
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Módena
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Duque de Módena
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O tenor, arauto da liberdade
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Verdi e a Unidade Italiana |
A Itália Sofrida |
Um Patriotismo Tribal |
Divisão Política da Itália pré-1861 |
Os Três Giuseppi |
O Risorgimento |
A Itália Cindida |
O Mazzinismo |
A Giovine Italia |
Alternativas Políticas dos Unitaristas |
O nascer de um patriota |
A Música e o Nacionalismo |
Ópera e Política |
A Trombeta de Josué |
A Ópera e o Teatro Grego |
Va pensiero, Hino da Unificação |
A "Marselhesa" dos Italianos |
Letra do Va, pensiero... |
Verdi è morto! |
As Obras de Verdi |
Dois Herdeiros de Verdi |
Bibliografia
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