Argentina: o Reino de Trapalanda
A região da Patagônia, no sul da Argentina, foi vista no passado como que acolhendo um lugar maravilhoso: o Reino da Trapalanda. Era um espécie de El Dorado, tão procurado pelos conquistadores espanhóis, uma terra fantasticamente rica, onde todas as construções das cidades, ruas e casas, eram feitas de ouro maciço e prata puríssima. Segundo Ezequiel Martinez Estrada, um dos maiores ensaístas da língua espanhola, este mito especioso de existir uma pátria cheia de tesouros ocultos, a espera de quem os encontrasse, nunca teria abandonado seus conterrâneos argentinos.
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"O ilusório superou o verdadeiro. A verdade, a terra ilimitada e vazia, a solidão, sobre isso ninguém adverte."
E.M.Estrada - Radiografia de la Pampa, 1933
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As Cidades dos Césares
Conforme o conquistador Garcia Furtado de Mendonça e seus homens alcançavam as regiões mais meridionais do continente sul-americano, cresciam, intensos, os rumores da existência de um grande e riquíssimo império logo mais abaixo.
Instalados no Chile, por volta de 1570, os murmúrios entre os espanhóis foram tão mais fortes que o adelantado, o governador, não teve outro remédio senão mandar um dos seus ir investigar aquela boataria. A soldadesca, àquela altura, falava abertamente no misterioso Reino de Trapalanda, lugar fabuloso, mágico, "onde as cidades tinhas as ruas pavimentadas com lingotes de ouro e as portas das casa eram de prata". Cidades dos Césares encravadas entre os Andes e a planície.
Região de monstros
O relato dessa aventura, escrito pelo capitão Arias Pardo Maldonado, tornou-se, segundo Luis Sepulveda, o primeiro registro da literatura fantástica em língua castelhana que se conhece. Maldonado descreveu os habitantes de Trapalanda como figuras monstruosas, gigantes de pés enormes, que não precisavam de vestimenta nem de cobertores pois envolviam-se em suas próprias orelhas para dormir. Pior ainda era o cheiro que exalavam. Tal a pestilência que nenhum deles se aproximava do outro, formando uma estranha raça que não se acoplava nem tinha descendência. Nunca se soube a razão desse registro maluco deixado pelo capitão Maldonado. Alguns o imaginam com a intenção de espantar daquelas possíveis maravilhas a cobiça dos bandos de aventureiros e desertores. Não passava de uma contrapropaganda.
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Tipos monstruosos habitavam a Trapalanda
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