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A teoria do Nous
No tratado a Física, Anaxágoras defendeu o princípio de que todo o universo é regido por uma inteligência (nous) que, além de ser o princípio motor, submete tudo o mais à sua vontade. A matéria em estado puro (hile), encontra-se separada da inteligência, sendo-lhe completamente obediente. Ela, a nous, conhece todas as coisas, é omnisciente: "ordena tudo, o que deve ser e tudo o que foi e que já não é, é esta revolução que as estrela, o sol e a lua, levam a cabo.." (fragmento 12). É, a inteligência, todo-poderosa, eterna e omnipresente. Concentra em si, simultaneamente, a faculdade de pensar e a capacidade de agir, de transformar aquilo que idealizou em vontade, em fazer da idéia algo material, concreto. A cosmogonia de Anaxágoras, obediente às leis da física, opunha-se pois à cosmogonia olímpica da gente comum, que acreditava que os astros, os planetas e tudo mais, movia-se de acordo com o capricho dos deuses.
Parece-se, a nous, como a um escultor que, com seu cinzel e martelo, desbasta o mármore ou o granito, para dar-lhe forma e sentido. Os instrumentos que existem estão, portanto, à disposição da inteligência que, com eles, vai extraindo feições diversas da matéria, para depois recompô-la no formato que a própria inteligência determinar. Assim, por exemplo, com um machado, um formão e um serrote, pode-se retirar de um tronco de madeira, pedaços para fazer-se uma mesa, uma cama, ou um barco. Quem, pois, determina previamente o destino de tudo é a inteligência, que paira sobre o restante das coisas. Em termos da filosofia materialista do século 19, Anaxágoras seria definido como um idealista radical, por sobrepor o abstrato, a idéia, à matéria, na época em que viveu, porém, acusaram-no de ser um contestador da concepções religiosas e duvidar dos deus. O que lhe rendeu processos, do qual só se salvou graças a intervenção pessoal de Péricles.
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