Letras e Dívidas
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Shylock, o típico credor malvado
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Os grandes escritores conhecidos foram também contumazes devedores de dinheiro. Quase sempre, senão sempre, por detrás de uma obra prima não é uma musa quem sopra no ouvido do autor, mas sim um forte e ameaçador ruído da pancada na porta, feita pelo seu credor.
Escritores e Credores
Aqui, (no escritório do usurário) o mais célebre artista implora, o mesmo faz o escritor cujo nome esta destinado à posteridade.
Balzac - Gobsek, 1840
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A mesa de Balzac, ativa para pagar dívidas
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Na longa história da literatura, as letras e os cifrões sempre andaram aos trambolhos, em relação tumultuosa e ofensiva. Escrever é uma arte sedentária, solitária e silenciosa, ofício exercido comumente por seres excêntricos e complicados, sem nenhum talento para a acumulação de bens. O dinheiro, ao revés, é ativo, social e ruidoso, passando de mão em mão, com multidões atrás dele doidas para entesourá-lo. As letras, por seu lado, só necessitam do sonante quando estão em total atrapalho. É, quase sempre, com os trastes empenhados e com as ameaçadas e xingações do cobrador a porta, que um escritor converte-se numa pequena indústria produtora de textos e de idéias, tentando acalmar os credores com uma enxurrada de páginas impressas.
Pequenas Fábricas
Balzac, um exemplo entre tantos, dificilmente chegaria a criar as 2 mil personagens e as mais de dez mil páginas manuscritas da "Comédia Humana" (escrita entre 1829 a 1848), se não o atormentasse uma legião inteira de credores que o caçavam por toda a Paris. O mesmo deu-se com Dostoievski. Sendo jogador compulsivo, era constrangido a deixar a roleta e a escapulir de Baden-Baden, na Alemanha para, refugiado numa pensão ou num hotelzinho qualquer, resgatar o crédito empunhando a pena. Algumas das suas obras-primas seguramente resultaram da ameaça da perda de todos os seus direitos autorais
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