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A comunidade islâmica


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O Corão e a arquitetura

Por mais primitivos que esses homens do deserto fossem, eles sentiam-se parte de uma enorme comunidade, a Umma, a irmandade dos muçulmanos. Estivessem eles no Cairo, em Bagdá, em Beirute, em Damasco, ou na bem afastada Andaluzia, bastava dirigir-se à mesquita, tirar as sandálias sujas de pó, que Alá estava lá dentro, aguardando, dando-lhe sombra e consolo. Quando aquele mundo do Islã, a partir dos séculos 14 e 15, começou a petrificar-se, a luz da esperança deu para esmaecer.

Os seus cientistas e seus filósofos, seus astrônomos e seus pensadores sentiram-se mais e mais sufocados. A ortodoxia religiosa e sua irmã, a paralisia mental, deram para perseguir o original, o imaginativo, o criativo. Os séculos foram passando e a lua cheia do deserto configurou-se como um quarto crescente que não crescia. A grande sombra que baixou sobre eles estendeu-se do Marrocos à Indonésia.

Luzes contra Trevas


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Abu Bark, o homem das artes médicas, o Galeno dos árabes letras

Talvez fosse Napoleão, quando ocupou o Cairo em 1798, o único estadista ocidental preocupado em levar-lhes as tinturas do Iluminismo, carregando consigo pelo deserto o que de melhor a ciência da França possuía naquela época - cavalaria, infantaria, artilharia e uma centenas de sábios da academia de Paris. A fórmula do general corso era simples - canhões e cérebro. Napoleão, porém, fracassou.

Desde então, todos os outros ocidentais que chegaram no Oriente Médio, de Lord Gordon ao general Rommel, só lhes trouxeram sofrimento. E quando os cobiçosos homens do petróleo da Europa e do Texas lá puseram os pés, no correr do século 20, disparando atrás de concessões, entrando nas tendas dos mandões com as mãos cheias de dinheiro, não fizeram questão de que eles imitassem suas instituições políticas liberais.

Entre a luxúria e o ascetismo


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O minbar (o púlpito da mesquita)

Os xeques, com os bolsos repletos, entregaram-se então aos prazeres da vida. Carrões, mulheres, cassinos, diamantes e rubis, aluguéis de hotéis inteiros, foram a única razão da existência deles. Tal comportamento de nababo das elites árabes endinheiradas era um insulto ao homem probo e pobre do oásis. Foi então que um rancor profundo deu para rondar e cercar as cidades do Islã. Ouvia-se lamentos em cada choça. Em cada caverna dizia-se que a hora da vingança estava para soar. Os homens do deserto, com Alá na boca e o Al Corão nas mãos, querem vir de novo assaltar a cidade.

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