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Água, Papel e Imprensa
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A cachoeira (tela de Thomas Cole)
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Quando os colonos ingleses nos princípios do século XVIII, partindo do litoral atlântico da América do Norte, penetraram bem no interior do novo continente, desconhecido para eles, depararam-se com os Montes Apalaches, uma cadeia de montanhas que descia do norte para o sul, impedindo-os de seguir mais adiante. Não lamentaram a existência daquela imensa barreira natural por um simples razão: desprendendo-se dos seus altos, jorravam cascatas de todos os lados. Uma torrente prodigiosa de água que descia veloz pelas cascatas e que somente nos dias mais frios do inverno congelava. Água que dali em diante eles saberiam muito bem domar e aproveitar.
As rodas da indústria
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Água, rodas e vapor
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Para espanto dos nativos, que aos poucos se aproximavam das suas vilas, aproveitavam, na maioria das estações, aquele desabar permanente para fazer mover as rodas de um maquinário nunca dantes por eles vistas. Instaladas bem a beira das cascatas com suas pás, elas aproveitavam o fluxo rápido que escorria dos topos vizinhos. Fixas num eixo, este movia uma engrenagem complicada que lhes permitia tanto moer o trigo e a cevada como, desde que ajeitadas para tanto, dedicar-se à transformação do ferro em tudo que desejassem: em arados, ferraduras, panelas, ferramentas e armas. Logo em seguida, colocando outras águas em cisternas ou em grandes caldeiras alimentadas por carvão, empregavam-nas como vapor para fazer funcionar suas máquinas.
Duas visões opostas
Ali, nas terras americanas, encontraram-se pela vez primeira, duas formas totalmente antagônicas de ver a importância da água. Para os indígenas, o precioso líquido era sagrado, fonte da vida como o Sol, e nada havia de mais criminoso do que propositadamente envenenar uma nascente ou um açude. Era ela a quem assegurava a existência deles e da caça que os alimentava. Para o homem branco, para o ocidental, a água era mais um dos recursos, uma das tantas benções que Deus fez para que seus filhos prosperassem, para que dela pudessem extrair o que bem entendessem. E assim as pequenas fábricas de beira de rio dos colonos americanos foram se espalhando por Harrrisburg, Allentown, Hazleton, Pittsburg, Concord, Lancaster,...das Carolinas, passando pela Virgínia indo até Vermon.Enquanto isto, os franceses desciam o Rio São Lourenço, fazendo o mesmo em Quebec e em Monreal.
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A cabana do colono e a aldeia do indígena
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Represando a água
Porém, nem brancos nem peles vermelhas, imaginavam o que ainda estava por vir. O olhar cobiçoso do ocidental cresceu ainda mais . Não bastava deslumbrar-se com a beleza, a vastidão e a disposição das massas líquidas que encontraram no continente conquistado, ou pô-las a fazer girar o mundo mecânico. Porque, alguém pensou, não prender aquilo tudo, aquelas imensas e incessantes corrente de água, e transformar sua fúria represada numa força titânica? Capturada pelo engenho humano, que pacienciosamente, à pá e braço, foi empilhando pedra por pedra para confiná-la em cativeiro, as águas aprisionadas, quando descobriam um caminho qualquer, atiravam-se por ele com todo o seu ardor. Buscavam a liberdade, o direito de correr pelo seu leito original. Justo aí, eram constrangidas a prestar um serviço. O preço do seu livre fluir era fazer mover as enormes turbinas que haviam sido construídas na sua passagem.
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As grande quedas d´água, fontes perene de energia
| O mais miraculoso disso, daquela monumental operação,é de que o choque da água com a colossal turbina provocava luz! Em pouco tempo, ao redor da hidrelétrica, multiplicavam-se os pirilampos, não os dos vaga-lumes mas das milhares e milhares de lâmpadas que iluminaram tudo ao redor . Ao ajudar o homem ocidental a transformar sua força em luz, a água fazia com que ele perdesse o temor da escuridão, esvaindo-se com ela o medo aos fantasmas, aos demônios, às aparições e às assombrações que tanto o assustavam. Assim depois de ter dado um passo maravilhoso no domínio do natural o homem ocidental, com a expansão da luz elétrica, desembaraçava-se do mundo sobrenatural.
Carvalhos, polpas e papel
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A fantástica floresta americana
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Bem mais ao norte dessa região que falamos, no Canadá, descobriu-se uma outra maneira tão prodigiosa ou mais de usar-se a água. Aproveitando-se das intermináveis florestas - compostas de bétulas, bordos, faias, carvalhos, tilias e do fenomenal pinheiro branco - que se somavam à abundância das porções líquidas confinadas nos Grandes Lagos, os canadenses deram início a sua transformação . Árvores gigantescas, testemunhas mudas de tempos imemoriais, transformadas em polpa e papel, serviram para que os homens pudessem comunicar-se ainda mais entre si. Dali saíram, pelos portos de Vancouver, de Quebec e de Hallifax, os gigantescos rolos para as rotativas de jornais, de editoras e de gráficas, para suprir a expansão da Era Guttemberg - a fome insaciável de saber e de técnica do nosso mundo moderno - toda ela registrada e imprimida no papel.
Desta maneira, o homem ocidental moderno, determinou uma maneira original, própria, de ver as benesses da Natureza. Tudo lhe parece útil à sua declarada ambição de vir a ser "senhor e dono da natureza " como sonhava Descartes . Nunca mais aceitou prostrar-se passivamente perante a ordem existente, mostrando-se um Prometeu perpetuamente rebelado contra a mediocridade do destino.
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