O Cometa Futurista
O movimento Futurista, que teve no poeta italiano Fillipo Tommaso Marinetti o seu principal mentor, exerceu enorme influência nas vanguardas artísticas que surgiram ao longo do século XX, marcando presença até hoje na estética do consumo, na arte pop e na publicidade moderna.
Tapas & Bofetões
De pé sobre o cume do mundo, nós lançamos nosso desafio às estrelas!...
F. Marinetti- Manifesto Futurista, 1909
Como comumente fazia, o crítico de artes Ardengo Soffici bebericava em seu café favorito em Florença. Repentinamente, três homens adentraram o terraço e passaram a agredi-lo e ofendê-lo furiosamente. Eram militantes do movimento futurista que vinham vingar-se de um artigo mordaz que Soffici havia publicado na revista
La Voce, impiedoso com a exposição realizada por eles em Milão, em abril de 1911. A polícia deteve os descontrolados. Eram os pintores Umberto Boccioni, Carlo Carra e o poeta Filippo Marinetti, o fundador do grupo vanguardista (que com este ato de violência já assinalava, bem antes do fascismo nascer, um tipo de prática que se tornou muito comum naquele regime). No dia seguinte ao bafafá a confusão ainda continuou. Sabedores que os agressores seriam embarcados na estação ferroviária de Florença, o pessoal da redação da revista resolveu devolver a surra. Depois de um enorme tumulto, tudo terminou à italiana: agressores e agredidos confraternizaram e o crítico Soffici terminou aderindo aos futuristas...
Efeitos Estéticos do Futurismo
Comentando a importância deles para a história da estética contemporânea, J. A. García Martinez observou que, hoje, o lado literário restou marginalizado; ninguém mais lê Marinetti. Mas ressalta que as experiências feitas pelos pintores e escultores tiveram enorme projeção, particularmente sobre a atual arte pop e a cinética. Até então ninguém como os futuristas havia chamado a atenção dos artistas para o novo mundo ruidoso e caótico que emergia das grandes metrópoles modernas. Os efeitos estéticos da iluminação feérica, o movimento, o barulho das máquinas, dos trens em movimento, do aeroplano, dos arranha-céus, do corre-corre das multidões, tudo isso era motivo para inspiração. Pode-se até afirmar que o futurismo colocou a estética, expulsa de resto da pintura e da escultura moderna, como uma das preocupações centrais do desenho industrial e técnico. Tanto é assim que os bens de consumo, especialmente os automóveis, os telefones, e outros, gradativamente procuraram conciliar a utilidade e funcionalidade do produto com a beleza, ao ponto de nos dias de hoje o público extasiar-se esteticamente numa exposição de carros, mas poucas vezes numa galeria de artes plásticas.
 | 
|  |

|
A celebração do moderno, o carro, o avião
| 
|

|
|