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Catão, o censor, símbolo da moralidade antiga
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Uma Ética Universal
Há sempre uma má vontade com a época em que nos coube viver. É comum escutar-se de que nos tempos passados sim, nos tempos de Catão, o censor romano, os homens eram honestos e mais respeitadores das coisas da lei e da ética, atitude que o presente imoral e tendente ao devasso botou a perder.
Corrupção e Maldades
"Obcecado pela idéia de que o que possui é imperfeito, o homem entrega-se por inteiro e pela imaginação às coisas que não tem e não conhece, nelas concentrando o seu desejo e sua esperança..."
Montaigne - Ensaios, I, LIII, 1572
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Talleyrand, propinas e subornos
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Consta que Tayllerand, morto em 1838, ministro de quase todos os governos franceses, o de Napoleão, dos Bourbons ou o de Luís Filipe, tinha o hábito de não deixar ninguém aproximar-se do seu superior sem que lhe deixassem um "agrado", sem que lhe molhassem a mão. No regime anterior, à época dos luíses, as amantes do rei, além de açambarcarem para si monopólios comerciais (o do chocolate era de madame Pompadour), mandavam e desmandavam nos ministérios. Enquanto isso, em Portugal, o rei dom João V, com medo dos infernos, não perdia ocasião em presenciar os autos-de-fé orquestrados pelo Santo Ofício de Lisboa. Parece ter sido o rei luso que, entre todos, mais aspirou a fumaça dos corpos dos heréticos carbonizados.
E, só para continuar no século 18, o conde Potemquin, um favorito da corte de Catarina, a Grande, mandou erguer ao longo de uma estrada que a czarina iria percorrer, no sul da Rússia, uma série de cidades só de fachada, sustentadas por estacas, para que a soberana na sua viagem pela região imaginasse ter conquistado uma província próspera. Ela, por seu lado, depois de passar em revista a guarda imperial, apontava o indicador majestático para um ou outro daqueles rapagões de uniforme da Guarda Palaciana para que, à noite, a aquecessem no dossel real.
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